28 agosto 2014

O Paraíso não é uma orgia: as virgens do paraíso islâmico

Correm pela net centos de vídeos alusivos ao tema. Trata-se, na maioria dos casos, de traduções intencionalmente falsificadas, algumas de claro conteúdo libidinoso destinadas a fazer crer que os Houri (companheiros e companheiras) prometidos por Alá aos mártires e aos que entraram no Paraíso se destinam a satisfazer a volúpia sexual. Ora, as suras corânicas referem-se a esses seres de forma respeitosa e cortês, pondo de relevo as suas qualidades de pureza, virgindade, inteligência e erudição; nunca aludindo a qualquer forma de sexualidade.

Naturalmente, a segunda natureza do texto - a alegórica - socorre-se do elogio às prendas físicas (beleza, olhos redondos, perfeição física) para dar relevo às qualidades espirituais desses seres. O paraíso de Alá não é, pois, um serralho, um lupanar ou uma orgia. O paraíso islâmico é um jardim verde, sossegado e harmonioso.Outro tema relacionado é o do estatuto das mulheres. Se as mulheres do tempo (terrenas) são temidas pelo seu "espírito vazio" e pelo erotismo, as huris (seres paradisíacos) são honradas (i.e. virgens), racionais, instrumentos de Deus e não beneficiando dos prazeres corporais. 

Há que ter tino e alguma elevação, evitando o despenhadeiro no reles. Infelizmente, a generalidade das pessoas compraz-se com o rasca. O tema é tão indecente para os muçulmanos como os centos de estórias a respeito da "vida sexual" de Jesus de Nazaré e dos "filhos" que teve de Maria Madalena. 

Ver: Hamz, Livro do Amor, III, 7.