08 julho 2014

Expliquem-me os génios anti-função pública

Não há dia em que não ouça catilinárias contra o funcionalismo do Estado. Há quem atribua a insustentabilidade financeira do Estado aos funcionários. Trata-se, obviamente, de enviezamento e de má-fé alimentada por parti-pris ideológico. O Estado português dá emprego a c. de 12% da população activa - na média dos números da OCDE - e congelou há muito a entrada de novos funcionários. Ora, dos 70 mil milhões resultantes da receita fiscal, 38 mil milhões o Estado nem os vê, posto destinarem-se ao pagamento de reformas e pensões da segurança social. Assim, dos 70 mil milhões iniciais, remanescem 32 mil milhões que transitam para Orçamento de Estado e para pagamento dos juros da dívida. Destes 32 mil milhões, 60% destinam-se a gastos dos ministérios e serviços e 40% a gastos com vencimentos dos servidores do Estado. Assim, o funcionalismo público será "responsável" pelo consumo de 1/5 a 1/6 do total da riqueza resultante da colecta de impostos. Pouco, muito pouco. Chega, meus caros, de massacrar os funcionários do Estado e de transformar em inimigos da governação quem aplica as políticas da coligação.
Começo a ficar farto de ouvir ataques vindos de pessoas que nunca trabalharam na vida.