13 março 2014

Voltemos ao espírito EFTA ou ao primeiro estádio da CEE


Lendo os manifestos para as europeias, salta à evidência que persistem as candidaturas em confundir os sonhos com a realidade. O ídolo Euro ali continua a pontificar. Lembro que, quando surgiu, nos prometiam que o Euro nos iria trazer o crescimento e o emprego, e que graças a essa divisa, a Europa iria ser o espaço económico mais forte do mundo. Uma década e meia após, estamos em quebra de competitividade e nunca como hoje conheceu a Europa tantas assimetrias regionais e sociais, tanto desrespeito pela liberdade económica dos Estados e tanta evasão fiscal e fuga de capitais. O Euro teve o condão de desertificar a Europa. Em vez de atrair, repele. Não vi nessas loas ao Euro a mais leve tentativa de pensar a possibilidade de voltarmos a viver sem ele. A isso chamo miopia política, talvez a forma mais benigna da estupidez.
O Euro morreu e com a sua morte a União Europeia construída em torno dele tenderá a desaparecer. Tal não implica, porém, a morte do projecto europeu, mas a sua conversão num pacto de cooperação entre Estados fundado em realidades económicas distintas, preservadoras dos interesses de nações soberanas.

11 março 2014

Que venha o milagre


O país pentecostal. Depois da vaga das indignações, veio a maré do não pagamos, logo seguida da mágica "renegociação". Agora, em qualquer café discute-se, com o saber e o rigor próprios deste povo de economistas encartados, a dilemática solução do pós-Troika: "saída limpa" ou "programa cautelar". Não interessa saber o que uma e outra significam. O importante é ter palavras à solta no ar, fingir que o povo-Rei, compenetrado e reflexivo, está em busca da da solução de ouro. O que os credores pensam não interessa, o importante é manter a ilusão que somos senhores do nosso destino. Infelizmente, não o somos há muito, há muitas décadas, mas isso o regime não quer discutir. De maná em maná, dependemos cada vez mais do milagrismo. Este é um povo pentecostal.