11 novembro 2014

O "palácio de Erdogan"

Para a psicologia burguesa, que tudo converte em negócio, a construção de palácios é manifestação de megalomania. Não nos esqueçamos que o ódio contra as monarquias se construiu com esse tipo de argumentos filhos do despeito. Contudo, se conhecermos minimamente a tradição edificadora dos regimes que acreditam numa dimensão superior da governação - e nesses incluo os regimes tradicionais europeus anteriores a 1789 - a edificação de "palácios" não tinha por objectivo o usufruto desses edifícios pelos seus ocupantes. Mais, no Oriente, quer nos países tributários da herança indiana, quer nos Estados islâmicos, a construção de tais monumentos constitui uma deferência para com as populações da região/província/cidade onde são edificados. O Rei da Tailândia tem casa em cada uma das 76 (setenta e seis) províncias. Em Portugal, tal também acontecia, havendo paços reais em Lisboa, Sintra, Mafra, Évora, Santarém, Portalegre, Leiria, Coimbra, Guimarães, etc. Os célebres "palácios" de Saddam era, assim, afirmações de proximidade do autocrata e não, como presumem os comedores de hambúrgueres, um insulto ao seu povo. Há que começar a ler e parar, de vez, com estas indignidades que só ficam mal a quem as escrevinha.

2 comentários:

Luis Carvalho disse...

Muito interessante. Infelizmente vivemos numa época em que já são poucos os que param para pensar...

jojoba disse...

Interessante o seu post.Uma pergunta: De que forma aquilo que diz motivar a construção de palácios exuberantes e imponentes no Próximo e Médio Oriente pode ser aplicado às construções de palácios nos países comunistas da Europa Central e de Leste? Penso concretamente em dois casos, o da Alemanha Democrática com a edificação do Palast der Republik sobre as ruínas do antigo palácio dos Kaisers e o palácio erigido durante o consulado de Ceausescu em Bucareste.