04 julho 2014

CDS sem Portas

1. Corre insistentemente nos jornais o rumor da iminente saída de Portas da direcção do CDS-PP e sua eventual substituição por Pedro Mota Soares, Assunção Cristas ou Nuno Melo. Três figuras simpáticas não fazem um partido. A acontecer, vaticinamos, respectivamente, 3%, 4% e 5% para o partido. Pior, se a oposição interna ideologicamente mais estruturada cometesse a imprevidência de correr à liderança, talvez saísse um partido mais coerente e arrumado nas ideias, mas nunca maior que o célebre "partido do táxi" saído das eleições de 1987. No pior, como no melhor, Portas é o PP e nos tempos que correm jogos e apostas em roleta russa - com o revólver com cinco munições - a probabilidade de morte é de 80%.No jogo político, o factor determinante é a existência ou inexistência de carisma. Não me parece, sinceramente, que exista fogo, gabarito e capacidade de arrastamento pelo verbo capaz de ocupar o lugar de Portas.

2. No que ao "vazio doutrinal" respeita, concordo com algumas objecções feitas ao método de navegação à vista seguido pela direcção. Contudo, se seria importante que PP voltasse às suas performances criativas do passado, mais interessante seria de esperar que a oposição à actual direcção do partido apresentasse alternativas e orientações claras. O que tenho visto em algumas agendas é pouco, é pobre e, sobretudo redutor e até perigoso, nomeadamente a agenda "pela vida". Dir-se-ia que, para alguns, o PP se deveria especializar em programas "anti-fracturantes", ou seja, num anti-Bloco de Esquerda. Não me parece, salvo por ausência de formação cultural e de mundo, que um partido se transforme em liga de "bons costumes" e seminário. Para isso existe a Conferência Episcopal Portuguesa.

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