19 julho 2014

Ainda somos independentes ?

Ouvi esta noite uma senhora, eurodeputada pelo PS, exaltada pela sua putativa elevação a Comissária dessa coisa que dá pelo nome de União Europeia. Dela, não ouvi uma só vez a palavra Portugal. Quando se referia a Portugal, fazia-o com quase dor, como se de algo secundário se tratasse numa ordem superior a que chama de Europa. Foi um interminável solilóquio de "patriotismo europeu". Esta gente está, positiva e animicamente, empenhada em destruir o que resta do Estado soberano. Querem-nos impor uma nova ideia de Estado. Podemos dizer que há Estado, quando este goza de soberania. Assim, o Estado soberano goza de soberania porque está sobre tudo e tem como atributos a plenitude, a permanência e a independência. Contudo, o Estado não é resultado nem de um contrato escrito, nem de um estado de alma. O Estado possui um fundo ôntico, sai do carácter de um povo que quis ser nação, tem uma dimensão espiritual, cultural, afectiva antes de ser um mero ordenamento jurídico. Ora, essa coisa a que chamam de União Europeia - que não é união nem é europeia - trata de substituir a soberania do nosso povo feito Estado num enunciado de leis, regulamentos, instituições. Esse "Estado" que nos querem impor - com a aprovação de todos os nossos eurodeputados, do Bloco ao CDS - é o anti-Estado, é uma imposição, viola a nossa história, viola o nosso carácter. É, tenhamos coragem de o dizer, uma tirania. Onde estão os portugueses de lei e de sentimento para contrariar este movimento que nos leva ao suicídio ?

2 comentários:

Gigi disse...

Gosto muito de o ler, creio que nunca irei ser monárquico, muito embora o «meu» primeiro partido com +/- 10 anos tenha sido o PPM, apenas porque o meu pai me dizia que não se podia escolher entre República e Monarquia e pareceu-me extremamente injusto. E entre David e Golias, a minha escolha está feita. Agora, por todos os erros que se possam apontar à U.E: Anti-Estado, perda de soberania, etc. não posso deixar de me comover com um dos maiores exercícios de vontade alguma vez promovido pela humanidade. Até à data são efectivamente 27 povos, se não mais, a tentar promover uma unidade, que não é só jurídica ou legalista pois será sempre mais do que isso. Consigamos nós, filhos de EUROPA, contribuir p/ a nossa unidade e juntos teremos também a nossa voz entre as potências do futuro. Que não queíramos ESTA Europa está certo, que não advoguemos a unidade dos povos da EUROPA é suicídio. AL

AMCD disse...

Embora não partilhe dos mesmos valores que o Miguel advoga, que é monárquico, não deixo de concordar consigo. Qualquer patriota concordará, julgo eu.

Mas acrescentaria algo mais. Quando diz que nos querem impor o anti-Estado, "que viola a nossa história e o nosso caráter", acrescentaria ainda, "que viola o nosso futuro".

Digo-o porque os Estados quando nascem, não têm uma história, mas estão prenhes de futuro. É assim, quando se dão os gritos do Ipiranga.

A história, essa, já ninguém no-la pode tirar, não obstante os revisionismos, mas o problema é quando nos roubam esse ideal de futuro, pois ele é o verdadeiro cimento das nações, é o ânimo dos homens que as constituem, é a esperança.

Às vezes penso que é preciso refundar Portugal, mas para isso acontecer é preciso que estejamos ancorados numa ideia de futuro.