02 julho 2014

A França brincando à justiça

Nicolas Sarkozy foi detido ontem de manhã em resultado de mais um escândalo de ilegalidades cometidos durante a passagem da criatura pelo Eliseu. Que se saiba, de Gaulle era um homem probo no que concernia a tentações venais. O seu sucessor iniciou a espiral da promiscuidade entre a alta finança internacional e o interesse do Estado - ou não fora Pompidou o mais alto dirigente do grupo Rotschild ? - e, logo, Giscard aumentou a parada (os diamantes de Bokassa), para sob Chirac a presidência se converter em seguro de inimputabilidade, imunidade e intocabilidade para o presidente e seus esbirros. No interim, Mitterrand ordenou ou permitiu que se cometessem crimes de sangue. O seu sinistro consulado aguarda momento favorável para que se franqueiem os documentos dos serviços secretos, mas os indícios são tão terríveis quanto indignos. Sarkozy, esse, terá sido, talvez, a mais insignificante, voraz, impreparada e venal figura de arrivista que se sentou no sólio presidencial. Com ele, a dignidade da função desceu às vísceras. Borsalino no Eliseu, eis a imagem que melhor se cola a Sarkozy. Para quando a radical mudança de regime que permita à França recobrar o seu papel no concerto das nações ocidentais ?

A batalha semântica de um regime sem-vergonha

Os tribunais acusam-no de corrupção, os advogados contrariam, alegando tratar-se de "tráfico de influências". Mais, na batalha que agora se inicia, queixam-se os juristas da excessiva dureza no tratamento conferido a Sarkozy - que incluiu mandado de detenção seguido de interrogatório - medida que contrasta com outros casos análogos (vide Chirac). É evidente que Sarkozy merece tratamento igual ao de qualquer outro cidadão. Contudo, parece-nos claro que há uma diferença entre a personagem e um vulgar cidadão, tanto mais que Sarkozy parece ter cometido todos estes agravos legais no exercício das funções. Para a UMP, tratou-se de um vexame. Pergunto: se esta gente se considera inimputável, acima da lei, habituada a um regime de excepção - assim o garante a lei de bronze da oligarquia - como se sentirão os cidadãos normais, sem influências, sem meios e sem conhecimentos ? A república francesa, sabíamo-lo há muito, pode ser, com toda a propriedade, considerada uma oligarquia. Os regimes oligárquicos caracterizam-se pela desigualdade de oportunidades, pela repetida prática da discriminação positiva que beneficia os apparatchik, pela confusão entre entre os interesses da casta dominante e o interesse do Estado, pelo fisiologismo irrefreável, pela tomada do aparelho do Estado para fins que contrariam o interesse colectivo. 
Vai o caso Sarkozy terminar na barra dos tribunais ? Não, não vai nem pode, pois o regime - todo o regime, da UMP-PS aos turiferários da esquerda - não pode correr o risco de ser exposto nas suas imposturas.

1 comentário:

Paul disse...

Peccadilles… L'Union soviétique a inventé les zek… DeGaulle a eu ses zek… Les socialauds sont dans la lignée… Que la France lise Iouri Dombrovski et médite sur La Faculté de l’Inutile… elle y trouvera peut-être l'inspiration pour un sursaut salutaire…

« … Vous avez fait du droit ? Eh bien, de votre temps, la faculté de droit, c’était la faculté de l’inutile. Vous y appreniez une science de formalités, d’arguties, de chicanes. Nous, on nous a enseigné à découvrir la vérité. »

Les Flanby, Taubira, Valls sont issus de l'école du trotskisme… À eux, on leur a effectivement enseigné à découvrir la vérité… Et non l'inutile, le droit…

En ce qui concerne le président Nicolas Sarkozy ce ne sont que peccadilles… Pas même des peccadilles, des inventions, de celle qui ont nourri les goulags d'Union soviétique…

Plus Flanby, Taubira, Valls tomberont bas dans l'estime des Français, plus leur justice sera imaginative. Avec la complicité de la Marine Le Pen et son faux Front National, dont le seul objectif, à défaut d'être élue, est de faire le maximum de voix à la présidentielle de 2017… Et donc cueillir le plus fric possible pour son parti. La loi en France voulant que les partis soient financés en fonction des voix obtenues. Le calcul de la Marine et de ses associés francs-maçons est qu'il serait financièrement plus rentable d'affronter Flanby que le président Nicolas Sarkozy…

Bien évidemment que Nicolas Sarkozy n'est pas le "recours" tant attendu, mais il vaut mieux que le pire… Le salut de la France ne peut venir que d'un renversement des institutions actuelles…

Procès ? Le seul vrai procès que la France attend est celui de l'infâme criminel compulsif DeGaulle… Pour sa désertion en 1940, pour Mers el-Kébir, pour l'Épuration, pour sa capitulation du 19 mars 1962, pour l'assassinat de Piegts, Dovecar, Degueldre, Bastien Thiry, pour l'abandon aux égorgeurs du FLN de centaines de milliers de soldats musulmans fidèles… … …

Juger DeGaulle… Un procès pour l'Honneur de la France. Un procès pour la Grandeur de la France. Un procès pour l'Histoire.