21 maio 2014

Austrália: achamento português


A descoberta da Austrália foi o tema da conferência hoje produzida por Luís Filipe Tomás na Biblioteca Nacional de Portugal. A polémica sobre o achamento do continente Austral pelos portugueses no século XVI mantém-se viva. Um cone de penumbra continua a persistir em torno do tema, cone que não é de luz pois não há qualquer prova documental, mas que também não é de sombra. Alguns, precipitadamente, atribuíram o feito a Cristóvão de Mendonça. Tomás provou que Mendonça não o pudera realizar, pois na data avançada por alguns historiógrafos encontrava-se a caminho de Cochin, vindo de Malaca. Ganha consistência a tese, segundo a qual o achamento se terá ficado a dever, não a um representante da Coroa, mas a um ou mais dos muitos comerciantes de sândalo que demandavam Timor todos anos para aprovisionamento dessa madeira preciosa. O achamento terá sido múltiplo, não se tendo os portugueses interessado por essa "terra incógnita" - já presente na cartografia de então como situada a Sul de Java Maior (Sumatra) e Java Menor (Java) - pois, potência mercantil em regime de capitalismo régio, a Portugal só interessava abrir mercados receptivos a trocas comerciais. Na Austrália, como lembrou Tomás, os povos que a habitavam - rudes, nus e primitivos - não ofereciam quaisquer condições para a realização de negócios e cabedais. 
Num exercício de erudição sobre cartografia antiga, Tomás demonstrou que a chegada dos portugueses à Austrália era incontornável, apresentando cartas produzidas pela escola cartográfica de Dieppe, que desde a década de 1530 passou a referir-se insistentemente ao continente Austral, que então se pensava alargar por todo o Índico Sul, até ao extremo sul de África.

Sem comentários: