10 maio 2014

A cultura agrilhoa


A cultura liberta, mas a cultura também agrilhoa. Há quem persista em exaltar a crença iluminista da libertação pela cultura. Nada de mais enganador. As pessoas mais intolerantes, mais fanáticas e perigosas que conheci ao longo da vida eram, quase todas, "pessoas cultas".


Goebbels, sem dúvida uma inteligência de excepção, muda abruptamente de semblante ao saber que o fotógrafo da Life (Alfred Eisenstaedt) era judeu. Lembro-me de um episódio infelicíssimo em que fui premiado com uma destas atitudes. Certo dia, convidado pelo Miguel Esteves Cardoso, participei num jantar de apoio à candidatura do MEC ao Parlamento Europeu. Sentaram-me numa mesa e tinha à minha frente o João Aguiar (que Deus o tenha). Após os protocolares apertos de mão, vi-o olhar fixamente para o cartão com o meu nome, que os promotores haviam colocado no lugar que me haviam destinado. Subitamente, o JA levantou-se, atirou o guardanapo para cima da mesa e pôs-se a vociferar, apontando para a mesa e repetindo "eu não me sento com gente desta". Era o tempo da Nova Monarquia e das terríveis perseguições contra nós movidas. Como um qualquer sacerdote brâmane, terá pensado que este pária lhe sujaria o bom nome.

5 comentários:

mujahedin مجاهدين disse...

Desculpe Nuno, mas já tinha visto esta história por aí e nunca vi ninguém a explicar como diabo sabem que o semblante se deve a ele saber que fotógrafo era o que quer que seja.

Mas querem lá ver que agora nem os nacionais-socialistas sabiam que havia judeus por todo o lado e todos os países e até - pasme-se! - que os havia meio-judeus por toda a hierarquia do partido, forças armadas e administração?

Havia e sabiam, pois.

Mais uma daquelas histórias estapafúrdias - em que se requer apenas que acreditemos, sem mais - como os candeeiros de pele que apenas servem para confundir.

E é pena que seja sempre esta Life e estas fotos que se mostram. Ninguém se lembra de mostrar as National Geographic dos anos trinta, por exemplo...

Maria disse...

Miguel, desculpe mas concordo totalmente com o que Mujahedin escreveu. E repare que não digo isto de ânimo leve, conheço, como já escrevi inúmeras vezes na blogosfera, famílias judaicas norte-americanos e inglesas e até um polaco casado com uma italiana, todos amigos de família, alguns dos elementos masculinos
(todos estes nossos amigos são/eram casados com católicas de diversa origem) refugiados da guerra em pequeninos, com os pais e avós. Tudo o que ele nos contaram sobre a guerra com todos os seus horrores, foram-lhes transmitidos pelos ditos familiares, estes sim, já adultos durante o conflito portanto podendo testemunhar o que viram e o que passaram. Alguns refugiaram-se enquanto a guerra eclodia. Um ou outro após o conflito ter terminado.
Nenhum deles disse mal dos alemães, pelo contrário elogiaram-nos como um povo superiormente inteligente e trabalhador. Nenhum deles sofreu às mãos dos oficiais ou soldados alemães. A guerra foi indiscutìvelmente um conflito brutal e gratuito e hoje é sobejamente conhecido que poderia ter sido evitada e também se sabe perfeitamente porque o não foi.

Houve sofrimento e mortes? Claro que houve e muitíssimo daquele e destas, por todas as partes envolvidas. Morreram milhões de seres humanos inùtilmente e de TODAS as nacionalidades. Não façamos o jeito aos german-haters, que por razões bastamente conhecidas, nas quais sobressai uma inveja/ódio secular, querem à força que os alemães, por pura maldade, tenham sido os únicos carrascos de milhões de homens, mulheres e crianças exclusivamente de raça judaica. Não é verdade. Morreram milhões de seres humanos de todas as raças e credos, em proporções semelhantes, sem esquecer que muitos destes foram assassinados nos últimos anos de guerra pelos próprios Aliados (e não pelos alemães, já então derrotados) assim como o mesmo aconteceu já após a guerra ter terminado e também pelos Aliados, nos quais se contam alguns milhões de alemães civís. Além de terem sido tremendamente mal tratados pelos Aliados quando, como prisioneiros, tiveram que ser distribuídos pelas várias cidades alemãs, percorrendo milhares de quilómetros a maior parte deles a pé, morrendo muitos pelo caminho de fome, sede, cansaço, doença, maus tratos e muitos mesmo assassinados.

Mas é claro que estes factos, hoje em dia indiscutíveis, nenhum fanático ou mistificador da História quer aceitar como verdadeiros, ùnicamente por conveniência. Estes não se têm cansado de ao longo dos anos terem vindo a repetir milhões de vezes esta mentira sàbiamente arquitectada com o desejo iniludível de que se tornasse numa verdade indesmentível. E conseguira-no durante décadas. Agora e finalmente, já não. E os próprios ou pelo menos a sua grande maioria, na impossibilidade de contradizer o que investigadores independentes têm vindo a revelar através d'arquivos desclassificados (e ainda a procissão vai no Adro), de conteúdo incontornável, já desde há vários anos que têm vindo paulatinamente a dar o braço a torcer. Já era mais do que tempo.

Maria disse...

Então, Miguel, o meu comentário enviado creio que no mesmo dia - 10/5 - do de Mujahedin (com o qual concordava by the way), foi censurado, é? Custa-me acreditar em semelhante coisa mas, deixe-me ser sincera, pela sua ausência de tantos dias, já não sei, não...

Jaime Cristovão disse...

O anti-semitismo tem raízes fundas na cultura europeia. Não é um exclusivo nem do Séc. XX nem da Alemanha Nazi. Mas todos os diferentes conflitos que, entre si, compuseram o ramalhete da segunda guerra mundial, tiveram na sua génese uma fortíssima componente de intolerância racial, ou em políticamente correcto, xenofobia. A Alemanha Nazi levou a mortandade (na Europa Ocidental) ao limiar da industrialização do genocídio - no Leste os meios eram menos refinados, com recurso aos pelotões de fuzilamento.
O que é um facto - e não me vou demorar a explorar as causas, apenas os factos - é que a esmagadora maioria da sociedade Alemã teve conhecimento e/ou participou, directa e indirectamente, no processo de eliminação das populações "inferiores" - os eslavos a leste e os judeus um pouco por todo o lado. Comparar a isto o que os Aliados fizeram é no mínimo injusto. Os bombardeamentos de Colónia e de Tóquio foram desumanos? Claro que sim. Mas lamentavelmente foram a única solução para não termos que falar Alemão e para não sermos considerados povos "de segunda". Hiroshima e Nagasaki foram inqualificáveis? Foram. Mas eram dezenas de milhares de Japoneses, fanáticos e controlados por um regime que não devia justificações aos seus subditos, ou mais um milhão (mínimo) de baixas aliadas, a terem que ser justificadas aos cidadãos eleitores.

Jaime Cristovão disse...

O anti-semitismo tem raízes fundas na cultura europeia. Não é um exclusivo nem do Séc. XX nem da Alemanha Nazi. Mas todos os diferentes conflitos que, entre si, compuseram o ramalhete da segunda guerra mundial, tiveram na sua génese uma fortíssima componente de intolerância racial, ou em políticamente correcto, xenofobia. A Alemanha Nazi levou a mortandade (na Europa Ocidental) ao limiar da industrialização do genocídio - no Leste os meios eram menos refinados, com recurso aos pelotões de fuzilamento.
O que é um facto - e não me vou demorar a explorar as causas, apenas os factos - é que a esmagadora maioria da sociedade Alemã teve conhecimento e/ou participou, directa e indirectamente, no processo de eliminação das populações "inferiores" - os eslavos a leste e os judeus um pouco por todo o lado. Comparar a isto o que os Aliados fizeram é no mínimo injusto. Os bombardeamentos de Colónia e de Tóquio foram desumanos? Claro que sim. Mas lamentavelmente foram a única solução para não termos que falar Alemão e para não sermos considerados povos "de segunda". Hiroshima e Nagasaki foram inqualificáveis? Foram. Mas eram dezenas de milhares de Japoneses, fanáticos e controlados por um regime que não devia justificações aos seus subditos, ou mais um milhão (mínimo) de baixas aliadas, a terem que ser justificadas aos cidadãos eleitores.