16 novembro 2013

Importante descoberta para a história da Missão Portuguesa no Sião



Há quase três anos, nos trabalhos de investigação conducentes à publicação de Das Partes do Sião, comemorativa dos 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia, eu e António Vasconcelos de Saldanha estivemos por diversas ocasiões na Igreja da Conceição, em Bangkok, na companhia do Comandante Ing Saravut Dias, o saudoso chefe daquela cristandade luso-descendente. O motivo dessas visitas prendia-se com uma representação de Nossa Senhora da Conceição. Da história da imagem pouco se sabia, pelo que foi necessário recorrer ao cruzamento de testemunhos arquivísticos de diversa proveniência para reunir elementos sobre a sua origem. Em Paris, na biblioteca das Missions Étrangères, localizei cartas de padres franceses, datadas de meados do século XIX, que aludiam à sua existência acidentada. Depois, foi pedida peritagem ao Professor Pedro Dias, que nos ofereceu valiosa informação sobre a quase certa origem goesa da mesma. Pensamos, então, tratar-se da mais antiga imagem votiva portuguesa existente na Tailândia. Porém, recentemente, fui informado de nova como importante descoberta. Datada de finais do século XVII, mercê de peritagem agora realizada por uma equipa de restauradores franceses, a imagem de Nossa Senhora que se encontra presentemente na Igreja do Rosário, em Bangkok, vem engrossar o património de memória da cristandade portuguesa do Sião. Trazida da antiga capital, Ayutthaya, destruída pelos birmaneses em 1767, foi submetida ao longo dos séculos a múltiplos restauros e pintura, dezasseis segundo a equipa de restauro. O trabalho agora realizado restituiu-a à beleza primitiva, permitindo igualmente confirmar materiais, técnicas e antiguidade.



Surge de manifesto que o interesse da imagem não se limita à sua origem portuguesa. O Menino sustenta um globo da orbe terrena, significativamente inscrevendo as regiões do Oriente sob jurisdição apostólica do Real Padroado Português do Oriente antes da intrusão da Propaganda Fide e seus vicários apostólicos. Aos restauradores e artistas, o penhor do nosso agradecimento pelo amor, extrema paciência e maestria demonstrados ao longo da demorada operação.


15 novembro 2013

O "C-A-F-E" da nossa esquerda golpista


Manuel Alegre alheou-se de presunções de estilo e desceu à prosa, afirmando que "se isto não vai a bem, vai a mal". Não é a primeira vez que ameaças nuas são impunemente desferidas contra o governo legítimo - constitucional, eleito e ajuramentado - embora os venerandos sacerdotes do culto constitucional, o Procurador Geral e outras magistraturas não manifestem o mais insignificante gesto, pedindo explicações ou exigindo instauração de inquérito às circunstâncias que envolveram tais ameaças. Soares ameaçou o chede de Estado, afirmando que por menos "mataram o Rei" [D.Carlos]. Se alguma dúvida subsistisse a respeito do carácter homicida de tais apóstrofes, dias depois de novo voltou à velada ameaça, agora contra a totalidade do governo, afirmando ser "necessário derrubar esta gente". Há dias, reincidente, Soares afirmou sem rebuço que este é "um governo de homicidas".
Esta deriva homicida do bunker da oligarquia desocupada agarrada a privilégios, velhos de décadas, esta apologia descarada da violência e do golpe, apenas me lembra o críptico entoar do slogan C-A-F-E, que se ouvia no fim do almoço na messe dos oficiais dos aquartelamentos espanhóis semanas antes da eclosão do levantamento nacional de Sanjurjo, Molla e Franco, no verão de 1936. Não, os oficiais não pediam o café, mas sim "Camaradas, Arriba Falange Española".
O bunker imobilista está em efervescência, deixou cair a máscara e está disposta a tudo, a aliar-se com as mais alfurjas para garantir que o regime que trouxe Portugal a este atoleiro fique como está, ou seja, que nada mude. Tenho para mim que se trata de irreparável erro, pois se o regime pode subsistir, deverá passar por uma profunda reforma, sem a qual cairá inapelavelmente. Ora, Passos Coelho, como aqui repetidamente temos afirmado, é o último dique contra a derrocada.