17 agosto 2013

Desaforos do falso igualitarismo da Judite dos rapapés à oligarquia


Frioleira de verão sem notícias ou não, a entrevista de Judite de Sousa a Lorenzo Carvalho provocou ondas de choque merecedoras de reflexão sobre os limites deontológicos do exercício do jornalismo. Não sei quem é o jovem milionário nem qual a origem da sua fortuna, o que bem pouco interessa para o efeito, mas nunca vi tamanha bateria de maus tratos, arrogância inquisitorial, falta de respeito e inveja reunidas em tão poucos minutos de emissão como a peça que reproduzo na íntegra, para que cada um possa, segundo a sua educação, lavrar opinião sobre o vergonhoso comportamento da jornalista-bombeira do politicamente correcto. 
O homem tem milhões, gasta-os como quer, conquanto pague os impostos e os serviços que encomenda. Dá emprego directo e indirecto a centos de produtores, fornecedores, decoradores, relações públicas, empregados de hotéis, condutores e mais uma legião de outros profissionais portugueses. Para mais, fazendo fé no que afirma, faz encomendas dignas de um Cressus a joalheiros, lojas de artigos de luxo, somando a tais gastos uns quantos milhões destinados a instituições de caridade. Ao contrário de tanto benfeitor alcandorado no orçamento do Estado, Lorenzo gasta do seu bolso. Talvez Judite de Sousa não se atrevesse a um milionésimo da má educação quando na presença de tanto governante pródigo que gastou milhares de milhões retirados dos impostos dos contribuintes, malbaratados no casino das promessas demagógicas. Estou certo que a mobilizadora dos recalcamentos colectivos jamais se constituiria em justiceira das dores e vergonhas nacionais na presença dos futebolistas milionários. Talvez Judite de Sousa - que também ganha uma fortuna - se pudesse questionar sobre as causas da agonia em que o país se debate após décadas de despesismo tresloucado. 
Tomara que em Portugal houvesse cem Lorenzos e que aqui derretessem as fortunas dando emprego a milhares de portugueses. É a cultura da inveja, sem dúvida o pior traço da mesquinhez ocultada pelos "valores" e pelas "convicções". Espero encontrar a Judite na próxima campanha do Banco Alimentar.
Vá, lembrando Almada, "coragem Portugueses, já só vos faltam as qualidades".

14 agosto 2013

A retranca ofendida pelos factos


As várias rádios Moscovo mantêm silêncio de sepulcro a respeito dos indicadores de várias agências confirmando a inversão do ciclo económico. Os mosquitos do Algarve, um ou outro incêndio, a mulher esfaqueada pelo marido, o corpo da malograda criança afogada, o seriado das impugnações de candidaturas autárquicas; eis o noticiário de frioleiras e pequenas tragédias do verão.
O que me incomoda na cultura da retranca é a má-fé, a incapacidade das oposições fazerem jogo de torneio, preferindo a faca na liga, o anel de Locusta, a raivinha medíocre que só diminui quem a não consegue ocultar. Ontem, a pequeníssima figura de Octávio-qualquer-coisa, economista comunista (como se um comunista pudesse ser economista, dado a sub-religião que professa ser absolutamente contrária à ciência económica) lá tentou ajuntar umas migalhas de demagogia balcão-de-cervejaria. Eles andam furiosos. Queriam mais tragédia, mais desemprego, mais lágrimas e ranger de dentes. São os parasitas da crise. No fundo, eles são os mosquitos do Algarve, afogados de raiva, incendiários da mentira, os esfaqueadores psicológicos deste povo.

13 agosto 2013

"25 Anos de Portugal Europeu"


A privação compele cada um a anelar o que não tem; quem fala de comida tem fome; quem de dinheiro fala é pobre de cabedais [ou pobre de espírito, como o são os plutocratas]; quem de religião só fala debate-se em escruciantes dores por ausência de fé; quem estremece de raiva contra o próximo tem-se em baixíssima conta, etc. Há cerca de 40 anos, começou-se a falar de Europa, como se Portugal não fosse geográfica, civilizacional e etnicamente parte do continente. O tema, não sendo novo entre as nossas elites - Garrett escreveu Portugal na Balança da Europa e a maldita Geração de 70 elevou a Europa a ficção dirigente, metástase tardia da Lenda Negra - foi coroado pelos plumitivos e demagogos nativos como a solução para todos os males de uma sociedade que, num ápice, se viu privada do grande oceano, do império ultramarino e de quase todas as certezas que nos animavam desde Quatrocentos.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, que tem desenvolvido interessante actividade ao longo dos últimos anos, constituindo-se em pólo de reflexão e agitadora de ideias, realiza no próximo mês de Setembro um ciclo de conferências subordinado ao tema "25 Anos de Portugal Europeu". Pensei que para tal se mobilizassem oradores heterodoxos, inconformistas e provocadores que permitissem oferecer perspectivas diferentes daquelas a que o ramerrão da langue de bois nos subjuga. Contudo, para minha decepção, para falar de um grande fiasco, lá estão os sempiternos causídicos da Europa que falhou, da Europa que não nos interessa, da Europa que nos avilta e reduz a extremo ocidente deprimido, incompreendido e submetido ao crivo dos preconceitos anti-meriodionais da Europa loura, protestante, capitalista. Lá estão Daniel Bessa, Villaverde Cabral, Elisa Ferreira, Pacheco Pereira, Teresa Patrício Gouveia e demais repetidores do já dito e redito. A excepção, como sempre, é António Barreto, um dissidente cheio de coragem - odiadíssimo pela fulanagem instalada - mas uma andorinha não faz a primavera.

Portugal sempre foi Europeu, esteja ou não na falhada União, submeta-se ou não ao novo sestércio do Império sem cabeça e sem gládio, vá ou não às penitências das novas Canossa de Estrasburgo, Bruxelas ou Berlim. À Europa demos o Mundo, ao Ocidente as cristandades do Brasil, das Ásias e da África, ao Lácio demos 200 milhões de falantes exóticos. Quando ouço um burguesinho falar dessa outra Europa do dinheiro, do "conforto" e dos "indicadores sociais", desligo. Essa Europa não me interessa para nada, essa Europa nunca nos deu nada senão desprezo, incompreensão, atitudes neo-coloniais, arrogância tribal desconhecedora da extensão do mundo. Essa Europa é, sem tirar, reduzir Portugal a um Cantão.

11 agosto 2013

Leitura de fim de semana


A Grande Fome de Mao, a maior catástrofe da história da humanidade, só há pouco mais de uma década foi inteiramente conhecida no Ocidente. As nossas livrarias, coalhadas de textos produzidos em torrente para os centos de mestrados e doutoramentos que por cá insistem em vergar a cerviz perante a mitologia comunista, destinam um lugar discreto, quase invisível, aos estudos [sérios] sobre as terríficas experiências comunistas. Portugal, marginal, provinciano e fechado, impenitente e ridículo, será, talvez, o último dos países da Europa Ocidental a não prestar a devida atenção aos estudos sobre o comunismo, a mais longa, mortal e destruidora forma de organização política de que há registo na história. E porque os portugueses quase não lêem, carregamos colectivamente a vergonha de fazer companhia aos gregos - excelente companhia - nas votações de partidos moral e conscientemente cúmplices de genocídios.