26 julho 2013

Álvaro, o que não conseguiu aquilo que ninguém muda



Está consumado. Foi-se embora. Esta terra tem o condão de repelir tudo o que não compreende, sobretudo se a carapaça albanesa, búlgara ou suazi de atraso estrutural, conformismo e aceitação do inaceitável - a cultura da maledicência, do "não vale ultrapassar", da preguiça que obstaculiza, imposta como cartilha do parece-bem e do "é assim que se faz" - for posta em causa por um parvenu. Este é o país onde não há carreiras, pois mal um individuo se consegue erguer sobre as duas pernas, logo a caterva de díscolos sobre ele faz chover uma saraivada de pedras (pedras de estupidez, pedras de ignorância impante) e fazer correr os dichotes e remoques do "é um tipo estranho", "não se adapta", "tem um carácter difícil". Contentes nesta Sicília transbordante de génio e sucesso, assim continuaremos sonhando com grandezas fanadas e importâncias que já mal se vêem. Álvaro Santos Pereira é a última aquisição da galeria dos homens que este país não mereceu, mas que depois de partirem, insuflam o mito do sebastianismo.
Álvaro cometeu o tremendo erro de acreditar num país industrializado, feito de empresas ousadas e inovadoras animadas pelo afã da boa concorrência, um país exportador, visível na cena internacional e respeitado pelo trabalho. Acabou. Ficam as conversas tolas que rendem favores, o concurso consensualizado, a obra prometida, as comezainas phony-baloney e o chocalhar de on the rocks de conversas sobre o open de Cascais, o golfe e outras coisas notáveis.

24 julho 2013

Obrigado, Álvaro


Um erro, mas um erro feito. Álvaro Santos Pereira está de saída. Um excelente ministro, um homem conhecedor, não ligado a comanditas, redes de influência e demais pechas da falsa aristocracia dos negócios; sobretudo um homem de bom carácter, coisa rara em tempo de arranjistas. Atacado, ridicularizado pelos impantes que confundem pose e competência, simplicidade, lhaneza e solicitude com fragilidade, Álvaro Santos Pereira foi silenciando um-a-um os críticos. No momento da partida - que seja feliz no Canadá, onde o respeitam pelos méritos e não pelos botões de punho e gravatas que não ostenta - só lhe posso desejar que continue a honrar o nome de Portugal. Obrigado, Álvaro.

23 julho 2013

Benfeitores e esmoleres com dinheiro dos outros


Guterres e o verboso Bensaúde Sampaio são apóstolos de todas as causas que inflamam os ardores generosos. Guterres dava, abusava do dar e como só tinha duas mãos, transformou-se numa espécie de Shiva multi-braços, servindo-se nesses assomos das mãos suplentes de Ferro Rodrigues e do Padre Melícias (que raio de nome, para além de erro ortográfico), mais o ministro da solidariedade Pedroso, do espantado divergente Gago e da Belém Roseira. Das  5597 pessoas que o governo de António Guterres nomeou entre Outubro de 1995 e Junho de 1999, 5000 estariam lá para dar, subsidiar, distribuir, presentear. Tamanho era o afã esmoler que Guterres, ao sair do posto, ambicionou grande: quis transformar o mundo num enorme Portugal. 
Sampaio, o homem de todas as causas justas, o curador dos aflitos, dos perseguidos, dos injustiçados - só não fez justiça a um governo legítimo, liderando um putsch palaciano miserável que ficará na história deste regime com uma canalhice absolutamente escabrosa, atirando borda fora um primeiro-ministro no exercício - esse, nos vinte mil discursos sem história que proferiu e continua a proferir (basta ligar o microfone e sai uma tempestade palavrosa sem um átomo de tino) esse também se fez pregoeiro das cruzadas e demais causas justas. Os dois, em tandem, tiveram agora a peregrina, fantasista e delirante ideia de trazer para Portugal "cem estudantes sírios fugidos à guerra que assola aquele país". Como reza uma tonta louvaminhice que circula na net(1), os dois salomões andam em frenesim merit making. Que eu saiba - penitencio-me se estiver errado - nunca o dito Sampaio das fundações ou o António das rosas se destacaram nas labutas do banco alimentar, no apoio aos nossos sem-abrigo e às mil misérias escondidas como expostas com que nos cruzamos diariamente num país trazido ao descalabro pela turbamulta despesista. 
Talvez, o movimento que exprimem não passe de simples compensação pelo apoio declarado que ambos têm dado aos terroristas que invadiram a Síria, destruindo cidades, aterrorizando populações, degolando, dinamitando hospitais, escolas, mercados, templos e bibliotecas. Enganam-se, porém, no diagnóstico que lavram. As universidades sírias, não obstante a magnitude dos estragos causados pelos libertadores incensados pelo tandem generoso, continuam a funcionar, prova maior da coragem tremenda daquele povo exposto à mais infame e injusta das guerras. A Síria não precisa da solidariedade dos dois generosos figurões. A Síria precisa de ser deixada em paz.


21 julho 2013

Não perca o próximo episódio de "Algemas de Seda"


É já às 20.30 horas que se saberá o fim da primeira parte do culebrón Algemas de Seda. Mariana casará com Vanderley? Tatiana arrepender-se-á do casamento com Ivan? A lotaria sairá ao sô Vinício? Adelmiro, que se julgava morto, aparecerá a Branka, que fora pedida em casamento por Aldemar? Não perca a sensacional desforra da nêguinhga Ubiracema, que era, afinal, filha do Coronel Percival, dono da roça de Cascos de Goitacás.
Tudo isto e muito mais em Algemas de Seda, o grande êxito da rede Aimbêre dirigido por Adilson Cacupé.