24 junho 2013

Actividade urgente para a FENPROF em dia de greve: "kit urgência-português " para Arménio Carlos


Não há mistérios. Na Alemanha, na Grã-Bretanha e na Holanda, os dirigentes sindicais frequentam institutos de formação contínua; cursos de legislação e economia, cultura geral, línguas, técnicas de comunicação. Naqueles infernos gelados, os sindicalistas discutem as mais complexas matérias com o patronato, sentam-se à mesa do poder, interpelam e são interpelados sem o menor vislumbre de paternalismo. Há-os escritores, jornalistas, docentes universitários, como os há músicos apaixonados, actores amadores e até artistas plásticos.
Por cá, cultiva-se o estilo "4º estado", o iletrismo cavalar, os comboios de frases-feitas, o roncante a dar o típico boneco do imaginado mineiro. Contudo, os nossos líderes sindicais são, sabemo-lo todos, os menos produtivos dos trabalhadores, vivem do ofício protestatário, não têm uma profissão, pelo que tempo de sobra teriam para polir, adornar, encher o verbo. Há dias, qualquer-coisa Nogueira, sindicalista dos professores, mas que não dá uma aula há mais de vinte anos, berrava (os sindicalistas não conhecem a moderação canora) e em meia dúzia de minutos assestou uma dúzia de biqueiradas na santa língua. Hoje, Arménio qualquer-coisa, em trinta segundos de comunicação agit-prop, afirmou que o governo dos "charlatões" (sic) e restantes "dignatários" devem sair, e já, reclamando eleições antecipadas. Não há, na CGTP, um só camarada de Arménio qualquer-coisa que lhe ofereça um prontuário, coisa de somenos que custa 3 ou 4 Euro? 
Sei bem que Arménio q.c. não lê, que o mundo em que vive é mínimo e que aquele tom rastracueros é q.b. para um país habituado a ser uma espécie de Suazilândia. Para quê mudar? O importante são as mariscadas, as cervejolas e a bola.