18 maio 2013

A mansão de Creso do campeão do racismo sul-africano


Julius Malema, líder da ala mais selvagem e vindicativa do racismo sul-africano, defensor da nacionalização da indústria mineira, da ocupação e confiscação sem compensações das explorações agrícolas pertencentes a brancos - as farms produzem 85% dos géneros consumidos pelo país - viu a sua casa vendida por 5 milhões de rands em hasta pública. A villa, que faria inveja ao mais ostentatório senador romano, constitui uma breve fracção do património do supremacista. Uma vez mais, as teorias e as grandes proclamações rendidas miseravelmente à cruel evidência dos factos.

17 maio 2013

Da cobardia, do seguidismo e da imoralidade de todos



Só se inibem de falar os cegos, os cobardes e os cúmplices. O que resta da antiguidade cristã oriental está a morrer perante a impassividade dos europeus manietados ou alienados pela propaganda das "boas causas" paga pela City de Londres e pelos industriais da agiotagem de Nova Iorque. Calam-se os liberais, os conservadores, os social-democratas e todos quantos lavram opinião sobre tudo e coisa alguma, mas que neste particular mantêm sinistro silêncio. O que faz Portugal, o que tem dito, que solução defende para um conflito que é desde há muito um claro choque entre a liberdade e a tirania, a tolerância e a opressão ? O que diz a nossa Igreja, sempre atrasada, sempre titubeante, incapaz de um gesto, de uma palavra, de uma condenação?

16 maio 2013

As vergonhas hollandinas


A França, campeã emérita das "boas causas", tomou há meses a decisão de facultar ajuda humanitária  às populações das "zonas libertadas da Síria", ou seja, às populações submetidas à sharia imposta pela Al Qaeda. Fabius, que não se devia envolver pessoalmente em qualquer iniciativa do Quai d'Orsay, conhecida a sua fidelidade genética a um dos actores em evidência na região, passeou-se pelas capitais do Médio Oriente e declarou então que não haveria, por ora, qualquer apoio militar aos terroristas. Ora, uma grande mentira exige, sempre, uma grande prova. Ontem, uma das colunas "humanitárias" francesas cruzando territórios sob controlo dos jihadistas, foi atacada pela força aérea síria. Os camiões saltaram estrepitosamente em cogumelos de fogo. Iam atestados de munições, armas automáticas, foguetes anti-tanque, minas anti-pessoal e outra "ajuda humanitária".

14 maio 2013

Fiel até à morte: da África Oriental alemã ao campo de concentração de Sachsenhausen


Por razões profissionais, estou a regressar ao alemão após vinte e tal anos de indigno esquecimento a que votei essa bela língua matemática. Nada melhor que voltar ao contacto com uma língua que o de ler, anotar, sublinhar um livro. Pensando estar a fazer exercícios, deixei-me subjugar pela grandeza da narrativa do jovem sudanês Mahjub bin Adam Mohamed, nascido nos confins da África, mas que se transformou num herói alemão, combatendo na Grande Guerra sob o comando do também lendário Letow von Vorbeck. O soldado askari ganhou em batalha as mais relevantes condecorações do Reich. Ao chegar a derrota, em 1918, não quis abjurar da sua condição de alemão, fixou-se no Reich, foi tradutor e professor universitário de swahili, casou com uma alemã e transformou-se em pendão de honra das mil associações coloniais e de ex-combatentes que mantinham vivo o sonho de ver restituídas à Alemanha as colónias perdidas.
O nazismo deixou-o em relativa paz, mas em 1941 foi acusado de "vergonha racial" - isto é, de manter relações com uma ariana - e enviado para o campo de Sachenhausen, onde morreria vítima de doença em 1944.
Tudo isto me faz lembrar o meu empregado doméstico Augusto Matavela  de Sousa, que um dia, lá para 1972, nos entrou casa adentro fardado. Havia-se alistado como voluntário no Exército português para defender "a nossa pátria". Sei que estas coisas estão proibidas entre nós, que muita má consciência que por aí ciranda nos quer fazer esquecer os milhares de negros que por nós combateram e, no fim, foram entregues à tortura, aos campos de concentração e às valas comuns dos "libertadores".

12 maio 2013

Quando o ridículo não mata


Há setenta anos, dos monumentos da tirania aos homens de todos os combates, a Europa era governada, dos Urais ao pais do verde pinho por homens de estatura quase mitológica: o "Grande Pai dos Povos" na URSS, o regente Horthy na Hungria, o Conducator Antonescu na Roménia, Hitler na Alemanha, Mussolini em Itália, Pétain na França, Franco em Espanha, Churchill no Reino Unido e Salazar em Portugal. 
Há quarenta anos, das democracias ocidentais aos concentracionarismos eslavos e aos sobreviventes autoritarismos ibéricos, havia um de Gaulle, um Adenauer, um Tito, um De Gasperi, um Anthony Eden, um Marcello Caetano. Há trinta e poucos anos, já muito diminuídos mas com um remanescente toque de panache, havia um Willy Brandt, um Helmut Schmidt, uma Thatcher, um Mitterrand.
Hoje, temos o que temos, com Hollande no Eliseu. A fazer o papel que outrora foi de Bismarck, Angela Merkel. É a decadência, muito embora teimemos em não ver o fim que se aproxima.