13 abril 2013

Não lhe fica nada bem, dr. Soares, voltar aos 13 anos de idade


Esta não é a primeira vez que o dr. Mário Soares faz turvas alusões a um possível magnicídio. Fê-lo há meses, num discurso apoplético em jantar do PS, afirmando então que "esta gente" (o governo) tem de "ser destruída". Agora, em entrevista ao I, ajusta a mira e procura a cabeça do governo. Com o passar dos anos, o dr. Soares parece voltar ao fascínio das sua primícias leninistas e arrasta pela lama os predicados de lutador pela democracia, aderindo ao culto da violência e da propaganda pelo facto. É triste que esteja a desfazer o que resta da minguada cultura democrática de respeito pelos adversários, que fale em morte e, desta forma, ajude a escavar o enorme buracão de subdesenvolvimento que vai nas cabeças da maioria dos nossos concidadãos. Estranho que não haja na família uma mulher ou um filho que lhe diga que não diga mais sandices, que deve ficar em casa, que não deve atender o telefone, que há livros e papeis velhos a arrumar ou uns passeios sanitários com os netinhos. 
Os políticos são como as prima donas. Ou sabem sair a tempo, ganhar distância, aplacar as ânsias das ovações, ou transformam-se em assombrações patéticas, dignas de piedade. O dr. Soares abeira-se do século e nessa idade as pessoas devem ser poupadas ao ridículo, poupando os outros ao incómodo de as ouvir dizer coisas próprias de meninos púberes.

12 abril 2013

Sete anos e sonhar alto


Sete anos de extensão, reconhecimento que nos separa definitivamente das Grécias e dos Chipres, colocando-nos na companhia da Irlanda. Boas notícias que requerem que se passe da fase de urgência e da tributação fiscal sem complacências - por vezes raiando o terrorismo fiscal - para a necessária subalternização das finanças perante a Economia. O trabalho foi feito. Ao governo, que resistiu a frondas e jacqueries, exige-se agora que procure por todos os meios a abertura de linhas de crédito junto dos bancos europeus, por forma a garantir reinvestimento aos empresários escapados à penúria. A crise não se vence com messianismos, lamúrias e apóstrofes, não se esconjura com manifestações e garotices. Seria oportuno que o governo pensasse seriamente em dar um sinal de lenta retoma da normalidade, revendo aspectos da política fiscal de emergência, sobretudo aqueles que inibem o retorno ao trabalho de dezenas de milhares de desempregados. Baixar o IVA da restauração para os valores anteriores, reescalonar as categorias da tributação e bonificar fiscalmente as empresas que contratem novos trabalhadores; eis as boas notícias que permitiriam uma longa trégua para o verão que se aproxima.
Para sonhar além, ouro sobre azul seria uma profunda reforma militar que retomasse o velho e saudoso SMO, acabando de vez com a famigerada "profissionalização" que devora em salários 80% dos 2.200 milhões destinados à Defesa. Ouro sobre azul seria a prometida redução das 3000 juntas para gabinetes de atendimento permanente de munícipes, a privatização dos portos, a revisão dos escalões de pensões e reformas, estabelecendo tecto análogo àquele que a Suécia e Finlândia impuseram nos anos 90. Ouro sobre azul, finalmente, seria o do corte do apoio que o Estado concede a mil e uma curibecas que dão pelo nome de fundações, a extinção por decreto de todos os observatórios, a revisão integral dos cargos de favor político, a denúncia pelo Estado de todas as PPP's.

10 abril 2013

Soares e Tatcher


Soares não pára e anda em agonias para forçar entrada na história. Hoje surge com a diatribe fúnebre à Dama de Ferro, aproveitando a oportunidade para fazer promoção pessoal, contar confidências e insinuar intimidades. Estranho tantas conversas com Tatcher, conhecendo a sua absoluta iliteracia no que à língua inglesa respeita. Soares não fala, não entende, não lê nem escreve em inglês, pelo que não terá tido jamais oportunidade para qualquer discussão substantiva com uma mulher formada em Oxford, discípula de Hayek e autora de obras consideradas relevantes no domínio em que era especialista. Para além da sua formação de base, eram várias as prendas intelectuais de Margaret Tatcher, não obstante a persistente lenda do seu desinteresse pela "cultura". Os seus discursos são belas peças de oratória, os manifestos que assinou trabalhos reveladores de conhecimento profundo no domínio das Ciências Sociais, as suas memórias um monumento à graça e à subtileza de dizer sem escrever, tudo provas manifestas de rara inteligência e domínio da expressão literária. Mário Soares, no que lhe cabe, fala mal o português, escreve mal e não deixa memórias. São ordens de grandeza imiscíveis. Muito ganharia Soares em poder ler Statecraft, Britain and Europe, The Revival of Britain e The Downing Street Years. Parece que a relação entre Soares e Tatcher fica por aí; o de serem duas figuras desiguais no que ao gabarito, talante e marca deixaram na vida dos países que governaram.

09 abril 2013

Morreu um grande homem


A morte de Margaret Tatcher Young será, talvez, o fim daquela geração de líderes que conheceu a guerra, geração educada numa escala de grandeza e responsabilidade contemporânea dos impérios. Olhavam o mundo sem medo, não duvidavam por um segundo da superioridade da Europa, entretanto universalizada, não temiam os desafios, os conflitos, as rupturas e, até, as guerras, caso nestas estivesse envolvido o sim e o não do Ocidente.
Depois, vieram os diluidores, o uomo qualunque de muita mercearia, perspectivas toldadas pelo negócio certo ou, pior ainda, os plutocratas sem civilização e sem convicções. Margaret Tatcher, gostasse-se ou não dela, foi, de facto um grande homem, aqui entendido para lá das patetices do género como máxima expressão de vontade, coragem, obstinação lutadora, incapacidade para os consensos mortais. A Europa, ou o que dela resta, morreu hoje um pouco mais.
Margaret Tatcher foi sempre uma mulher dos anos 40, não aderiu às puerilidades bem-aventuradas de um socialismo para encostados. Acreditava nas pequenas virtudes das pessoas que assumem riscos, que lutam por si, construindo palmo a palmo a sua liberdade perante os grupos, os caciquismos, o pão do Estado. Encontrou o Reino Unido reduzido a 17ª potência mundial, dominado pela mafia do sindicalismo que gritava pela liberdade mas que a ia matando, uma sociedade refém de greves de coveiros, de almeidas, indústria obsoleta, taxas proteccionistas, inflação de dois dígitos, falso emprego pago pelos cofres do erário. O combate que desenvolveu libertou a Grã-Bretanha da insignificância, voltando-a a colocar no pelotão dos Estados que fazem a agenda internacional.