23 fevereiro 2013

E Você, também defende ataques bombistas a hospitais?

Os EUA vetaram a apresentação de uma moção apresentada no Conselho de Segurança das Nações Unidas em condenação dos recentes atendados terroristas perpetrados contra um hospital de Damasco. Temos excelentes amigos na luta contra o salafismo ! 

21 fevereiro 2013

B.S.S. e a metafísica do Estado Social


Boaventura Sousa Santos "exige" a saída do governo e afirma que as "conquistas" não se derrogam. Para um sociólogo encartado, a afirmação soa como uma contradição, pois abaixo da filosofia do Direito e do Estado - que lida com conceitos transfinitos - a realidade social é mutável, sujeita a constante conflito de interesses e insusceptível de outra abordagem que não a compreensiva. 
O "Estado Social" - sabe-o B.S.S. - resultou da acumulação de riqueza em sociedades que detinham hegemonia industrial, tecnológica e financeira, que dominavam a economia mundial, eram centros de impérios coloniais e, assim, se permitiam artificializar os níveis de rendimento e conforto das chamadas classes populares. No fundo, o Estado Social era uma injustiça, na medida que resultava da transferência de meios da periferia do Euromundo para o centro.
A desagregação dos impérios, a emergência de novos pólos de poder, a incapacidade da Europa em concorrer com outros regimes laborais, salariais e legais, os custos incomportáveis que passou a pagar pela importação de matérias-primas, tudo isso foi escamoteado durante três ou quatro décadas. Agora que a Europa deixou de ser a fábrica do mundo, como manter um regime social privilegiado? 
A partir da década de 90, surgia claro aos mais avisados que a manutenção do Estado Social se mostrava incompatível com o lento apagamento do velho continente. Para contrariar a tendência que qualquer estudo prospectivo punha em evidência, a Europa derrapou para a demagogia e para o endividamento. A Suécia e a Finlândia reformaram o Estado Social na década de 90; os outros - franceses, italianos, espanhóis, portugueses e gregos - chegaram à miragem do abundantismo precisamente no momento em que a globalização mostrava o fim à vista da preeminência europeia. Os suecos e os finlandeses saíram-se bem; nós, caímos no vórtice.
B.S.S., se fosse consequente no apostolado da "aldeia global", aceitaria de bom grado vencer como um sociólogo paquistanês, viveria num daqueles cortiços da Bangkok destinados a professores universitários (que vencem 600 Euro por mês), comeria em cantinas (como comem os catedráticos indianos e chineses), viajaria uma vez por ano para participar em conferências e seminários, sempre aboletados em hotéis de 2 estrelas. Mas não, a esquerda chique e o revolucionarismo de pacotilha só exaltam a austeridade, incensam a moderação e a simplicidade não-burguesas e anti-consumistas se tais prendas forem para os outros.

19 fevereiro 2013

A matulagem da metadona


O ministro Relvas foi vaiado pela enésima vez, desta feita em Vila Nova de Gaia. Não se trata de campanha exclusiva contra Relvas, mas destinada a todos titulares ministeriais. O agit prop não se detém, até quando um qualquer membro do governo acorre a uma inauguração, quando anuncia medidas atenuadoras, quando comparece para a assinatura de um protocolo com empresários estrangeiros interessados em investir em Portugal. . Lá vem a Grândola, os democratíssimos punhos odiosos lembrando malfeitorias de outros tempos, a exigência da queda do governo e de novas eleições; como sabemos, tudo práticas correntes naquelas defuntas sociedades de antanho que foram o sol radioso - a aurora dourada, o sendeiro luminoso - que se afirmavam paraísos para trabalhadores, mas onde não havia nem pão, nem liberdade, e onde em cada esquina a igualdade era desmentida por um bufo, um polícia da secreta ou uma loja exclusiva para os apparatchik do partido. 
Esta matulagem não é, convém lembrar, o quarto estado, a fome estampada no rosto, os ventre-ao-sol minados pela tísica. Não, trata-se da tal "classe média" convocada por sms, arrebanhada pela sede local do partido, transportada e alimentada pela indústria do protesto para estas bravatas. Sintoma claro da metadona, do fim do Estado à Guterres (com Ferro Rodrigues e Milícias oferecendo o que não era nem deles nem nosso) e, sobretudo, a absoluta incapacidade para oferecer uma molécula alternativa ao descalabro de décadas. Lá está o velhote de fato e colete (há sempre um profiteur de jeunes) nostálgico de um tempo [que felizmente não voltará] em que tudo o que se lhes opusesse era liminarmente apodado de "fascista". A metadona provoca caibras, vómitos, suores frios, tonturas e sonolência alternando com exaltações. Provoca, também, alterações gástricas e, até, coprolalia, incapacidade para suster torrentes de palavrões. Em Gaia, a metadona teve os seus cinco minutos de triunfo.
Seguro que se segure, pois amanhã, se for ministro, lá terá as esperas da matulagem da metadona pedindo-lhe o pão e o circo que não poderá dar. Se não tem estômago para estas fevereiradas, que fique no sólio oposicionista educado.

18 fevereiro 2013

Silêncio de traição, silêncio de facciosismo


Seguro anda em correria pelo país, os comentadores e as "comentadeiras" não se cansam de rezar a verrina diária contra o governo, os Peppone arrastam-se em marchas, os grevistas fazem greves, S. Bento continua com as Grândolas Vilas Morenas e até a fragilíssima Catarina Martins do BE faz propostas para a saída da crise. O protestarismo de sempre, o reaccionarismo patego, a má-fé conjugados em propósitos golpistas; eis a nossa oposição. Entre os futebóis e a croniqueta das lamúrias, os senhores jornalistas minimizaram o facto mais importante da semana. Álvaro Santos Pereira meteu uma lança em África, conseguiu o acordo com os argelinos para a construção por empresas portuguesas de 75.000 (sim, setenta e cinco mil) casas, um bolo de 4 mil milhões de Euros (4.000.000.000) que vai aliviar a crise no sector da construção civil e garantir emprego por quatro anos a centos de técnicos portugueses. Ninguém diz nada. Não há um louvor, um gesto de simpatia. Este país está, decididamente, a afogar-se na patologia derrotista e só dá ouvidos aos profetas da desgraça, por acaso os profetas que nos trouxeram ao desastre.
Temos um grande ministro da Economia, como temos um excelente ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas isso não interessa aos abencerragens de sempre, aqueles que confundem economia com subsídios, mão estendida em concha, mendicância e chupismo dos Euro-fundos.