26 janeiro 2013

80 anos da fome artificial que matou 8 milhões de ucranianos: este crime não foi cometido pelos nazis

Passam 80 anos sobre o genocídio dos ucranianos. Dele pouco se fala, pois os crimes do comunismo continuam a ser tabu para a generalidade dos historiadores, dos jornalistas e dos moralistas. Estes 8 milhões desapareceram, literalmente, da história, não há quem os reclame, por eles não dobraram sinos e os seus executores morreram placidamente. O comunismo, que matou 100 milhões no século XX, continua à espera de uma sentença.

O pior que poderia acontecer à Birmânia


O interesse pelas grandes causas esconde, amiúde, outros móbiles. Ontem, trocando impressões com um académico francês que conhece a Birmânia como poucos, dele recebi uma verdadeira lição, confirmando muitas suspeitas sobre as verdadeiras razões do recente degelo nas relações entre o governo da junta militar e os EUA. Disse-me, sem pestanejar, que é tudo uma questão de petróleo, gás natural, madeiras exóticas, potencialidades turísticas, mão-de-obra baratíssima, ausência de leis laborais e, até, campo fertilíssimo para as investidas das seitas evangélicas num país onde os cristãos são em grande número e estariam prontos para receber os pregoeiros das boas-novas. Oscracizada, a Birmânia transformou-se recentemente na Meca dos homens de negócios em busca de "novas oportunidades" de investimento e lucros fabulosos. A Tailândia, já demasiado rica e cumpridora das cartas internacionais, parece já não interessar aos caixeiros-viajantes da plutocracia.

25 janeiro 2013

Seguro, punhais&venenos


António José Seguro tem sido um bom líder da oposição razoável, pois que da restante (a oposição de Rilhafoles) pouco há a dizer. Seguro afivela o papel que lhe compete, não se excede, não se submete aos caprichos dementes nem à mentira que ilude, não perde a compostura, não faz promessas nem participa no mainstream dos Baptistas da Silva e manuelinhos de Évora que ganharam notoriedade em tempos de crise. Confesso que, no início, não dava nada por Seguro, para além da sua boa educação. Contudo, ao longo dos últimos dois anos passei a respeitar a sua moderação e rectidão. Para esta alteração de juízo foi determinante a forma com que lidou com os "senhores jornalistas", essa turbamulta rapace de escândalos e sensacionalismo que trepou no concerto das indignações e se substituiu às oposições legítimas. Seguro não lhes dá troco, como não invade os serões televisivos com participações incompatíveis com o exercício de funções oficiais. Seguro é um bom líder, pois tem dado lições de compreensão, tem aplacado a fome de lugares de muita gente que, nada sabendo fazer na vida, precisa de voltar ao poder para satisfazer necessidades vitais, alimentar clientelas, usar a coisa pública e fazer por si e pela prole. 
Há quem pense que lhe caberia o papel do provocador, do simpático mentiroso, do demagogo sem escrúpulos. Seguro escolheu o caminho longo, pelo que não colhe as graças dos trapalhões e vendedores de mantas da Feira do Relógio que ocupam metade da assembleia.. Por tudo isso, assistindo ao estendal de micro-traições que desde ontem se manifestam no interior do seu estado-maior, só lhe posso desejar boa-sorte e que não lhe trema a mão, não hesite nem tergiverse no castigo dos envenenadores.
A vida política é coisa perigosa, sobretudo para gente com princípios. Naquele meio campeiam burlões, aventureiros, carreiristas, mentirosos compulsivos, mitómanos delirantes; em suma, gente infrequentável. Seguro não é um génio e não possuiu carisma arrebatador, mas é certinho, confiável, sensato, comedido e racional. seria uma pena vê-lo substituído por um trampolineiro.

P.S: Fonte muito bem informada sussurrou-me que aquilo no Rato anda em clima de guerra civil, que os inimigos de Seguro não param, que recorrem a todo o tipo de expedientes para defenestrarem o líder socialista até às autárquicas. A baixa política das carantonhas, do fulanismo e do curibequismo em toda a miséria da mais degradada partidocratice. Passos vai-se libertando lentamente das lapas e dos barriguinhas que infestavam o PSD. Seguro que o faça no PS.

A Líbia antes do fundamentalismo que a Nato colocou no poder


Dois anos após o início da guerra na Líbia e quase dois passados sobre esta displicente entrevista de Monsenhor Martinelli, Vigário Apostólico de Trípoli, terá chegado o momento de perguntar quem quis aquela guerra, quem a incitou, a pagou e municiou, com que finalidade, para cumprir que objectivo? A recente guerra no Mali, iniciada por aqueles que então foram adestrados, transportados e reconhecidos como "lutadores pela liberdade" vem demonstrar que algo de errado, sinistro ou incongruente, plana sobre as chancelarias ocidentais e que a NATO - outrora protectora do mundo livre, nosso braço de defesa - se transformou, para nosso mal e para mal do povo líbio, em caução para os maiores inimigos do Ocidente, da democracia e do diálogo entre as civilizações. Ouçamos, pois, a voz da serenidade e da verdade.

24 janeiro 2013

A "legitimidade perdida"


Insistem os adeptos do golpismo e os exegetas dessa coisa mal escrita feita em espírito de RGA por miudoscos nos idos de 75 e 76 - ou seja, a Constituição - que o governo extravasou os limites do seu mandato e perdeu legitimidade. Eu inverteria os termos. Não terá sido, afinal, a Constituição - responsável directa pelo atraso, pela imobilidade e pela desgraça que se abateu sobre o país - que terá perdido legitimidade e requer, senão um novo texto, uma enorme barrela ?
As constituições são datadas e têm um tempo de vida. A constituição de Miranda, Canotilho e Vital é um monstro cego e possessivo, antiqualha contemporânea das calças boca-de-sino, dos autocarros de dois andares da Carris, dos Mini-Minor, da Associação de Amizade Portugal-Kampuchea Democrático, dos SUV, dos programas do Pitacas Antunes e da candidatura de Arlete Vieira da Silva. Esse mundo acabou há trinta e tal anos, mas o livrinho vermelho da Constituição continua a negar o nascer do sol, a passagem do calendário, a sucessão das estações. 

23 janeiro 2013

Mobilização total contra a invasão terrorista


As mulheres sírias, assim como todos os homens entre os 18 e os 60 anos, passam a partir de agora a integrar as forças de defesa do Estado sírio, num esforço de mobilização geral que visa a defesa da sociedade perante a ameaça do fanatismo integrista apoiado pela auto-proclamada "comunidade internacional". As minorias religiosas cristã, druza, ismaelita, alauíta e até os judeus têm-se oferecido em massa para a defesa das liberdades de que gozam sob o regime de Assad, combatendo na linha da frente pela manutenção de um regime tolerante que lhes garante plena cidadania. Particularmente visadas pela violência dos inimigos da sociedade secularizada são as mulheres, que na Síria ocupam relevantes posições empresariais, assim como no sistema judicial, na educação, na universidade e na diplomacia. A imposição da sharia condená-las-ia à privação, de facto e de jure, da dignidade de cidadania. Tudo isto é triste, pois prevalece um cínico double standart que ao menos avisado dos observadores deixa perplexo. No Mali, a França lidera o combate contra as forças regressivas quando, na Síria, apoia aqueles que combate na África do Sahel.

Sem comentários

22 janeiro 2013

Censura


O expresso publicará ao longo de três edições um dossier sobre a acção da censura sobre o semanário fundado por Pinto Balsemão nos derradeiros meses da governação de Marcello Caetano e da vigência do Estado Social (1968-74).
A censura é feia e beneficia sempre quem é silenciado, criando apetite pelo fruto proibido e encarecendo o mérito de quem dela é vítima. Politicamente, a censura é um prémio dado de bandeja pelo poder amedrontado aos seus opositores. Porém, julgo que há formas de censura - tão nocivas como a censura oficial - que se praticam ao desbarato, sem quem os useiros campeões da liberdade se indignem. Infelizmente, depois do index prohibitorum, da Mesa Censória, da censura oficial (instituída pela 1ª República) e da Comissão da Censura (1926), continua em Portugal a praticar-se a censura que não dá pelo nome; logo, cobarde, discricionária, sem regras, impune, ao alvedrio de quem põe e dispõe. Não fosse a blogosfera e metade do que acontece no país não existiria, positivamente, para gáudio dos senhores todo-poderosos que se habituaram a mandar nesta terra como quem manda numa herdade. Eu já nem leio jornais, mal ouço os noticiários e presto atenção às encomendas, aos recados, à promoção de causas, cadinhos de ódio e preconceito que a nossa "opinião que se publica" verte sobre um "país" de aquário que não passa de papel escrito nas redacções dos jornais. A tentação que os senhores jornalista têm para servir o poder - outrora eram homens de leitura e escreviam bem - e a inclinação para o espalhafato, para superficialidade e para a excitação das emoções, eis o que é o "jornalismo profissional".

21 janeiro 2013

Nós queremos ser recolonizados pela França

Ontem, em Bamako, capital do Mali. Sem comentários !

A vida íntima dos políticos


Mais de 400 amantes ocasionais, cinco amantes oficiais, cinco filhos do casamento com Dona Rachelle, um filho legitimado e seis outros fruto de aventuras e paixões extraconjugais, a vida de Mussolini reúne matéria para mil romances de aventuras e, porque não, de novelas eróticas. Ao contrário dos ditadores do seu tempo, eremitas quase assexuados, Mussolini, "padre di famiglia", trabalhador infatigável e incontestado Duce da Itália, ainda tinha tempo para separar as pesadas responsabilidades da governação com mil e uma escapadelas nocturnas. A biografia erótica de Mussolini, que faz furor em Itália, não tem, contudo, o tom reles das aventuras de Berlusconi. Era um segredo de Estado à latina, um segredo que todos comentavam, fonte de admiração para os homens, devaneio e fantasia para as italianas que o consideravam um vero uomo. De Roberto Olla, uma excelente companhia para os curiosos da vida dos grandes estadistas.