15 novembro 2013

O "C-A-F-E" da nossa esquerda golpista


Manuel Alegre alheou-se de presunções de estilo e desceu à prosa, afirmando que "se isto não vai a bem, vai a mal". Não é a primeira vez que ameaças nuas são impunemente desferidas contra o governo legítimo - constitucional, eleito e ajuramentado - embora os venerandos sacerdotes do culto constitucional, o Procurador Geral e outras magistraturas não manifestem o mais insignificante gesto, pedindo explicações ou exigindo instauração de inquérito às circunstâncias que envolveram tais ameaças. Soares ameaçou o chede de Estado, afirmando que por menos "mataram o Rei" [D.Carlos]. Se alguma dúvida subsistisse a respeito do carácter homicida de tais apóstrofes, dias depois de novo voltou à velada ameaça, agora contra a totalidade do governo, afirmando ser "necessário derrubar esta gente". Há dias, reincidente, Soares afirmou sem rebuço que este é "um governo de homicidas".
Esta deriva homicida do bunker da oligarquia desocupada agarrada a privilégios, velhos de décadas, esta apologia descarada da violência e do golpe, apenas me lembra o críptico entoar do slogan C-A-F-E, que se ouvia no fim do almoço na messe dos oficiais dos aquartelamentos espanhóis semanas antes da eclosão do levantamento nacional de Sanjurjo, Molla e Franco, no verão de 1936. Não, os oficiais não pediam o café, mas sim "Camaradas, Arriba Falange Española".
O bunker imobilista está em efervescência, deixou cair a máscara e está disposta a tudo, a aliar-se com as mais alfurjas para garantir que o regime que trouxe Portugal a este atoleiro fique como está, ou seja, que nada mude. Tenho para mim que se trata de irreparável erro, pois se o regime pode subsistir, deverá passar por uma profunda reforma, sem a qual cairá inapelavelmente. Ora, Passos Coelho, como aqui repetidamente temos afirmado, é o último dique contra a derrocada.

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