20 novembro 2013

A teimosia, o fechamento e o patético



O Congresso das Esquerdas surge como um sarcasmo e parece uma vingança póstuma de Salazar, o "velho" de 70 anos, o "homem que não saía", o "dono da vida pública". No elenco da gerontocracia que agora não sai, Soares nonagenário ocupa lugar cativo. Um mês após a realização em Lisboa do 2º Congresso Internacional Karl Marx, e tendo como bandeiras a Constituição e o Estado Social - a primeira coisa recentíssima, como se sabe, e o segundo um feixe de convicções datadas - tal ajuntamento de macróbios demonstra a caquexia dos fundamentos de um  regime que já em 1975 nascia 50 anos desajustado, mas que teimou, teimou, até nos trazer a este atoleiro.
Tudo isto é confrangedor. A cronofobia das esquerdas, a falta de pudor em reclamar para a oligarquia um lugar que não soube merecer, a insensibilidade quase patética, o fechamento autista em relação ao país, o espírito de aquário de gente que se habituou a mandar, a monopolizar lugares e a dominar todas as manifestações de vida política com a naturalidade de quem respira; tudo isto é sintomático de um fim de ciclo histórico a que o bunker responde com mais fechamento, mais teimosia, mais  intolerância. Estas esquerdas não têm 90 anos como Soares; não, são avós intelectuais dos anciãos que as manipulam.
Agora compreende-se a "teoria dos miúdos" [de 50 anos] que nos governam. Pois, quem tanto os ataca tem 75, 80 ou 90.

1 comentário:

Joaquim Carlos disse...

Muito bem. Sair de cena pelo lado nobre da saída é uma arte que estes estômagos senectos não entendem.