23 setembro 2013

Venceu o mittelstand


A geografia dos resultados eleitorais na Alemanha não deixa margem para dúvidas. Com excepção da Renânia do Norte-Vestefália (conglomerado urbano e industrial), do Hessen (tendo por capital Frankfurt am Main) e do Brandemburgo (no Leste), o voto na CDU-CSU foi maioritário e absoluto na Alemanha católica, maioritário na Alemanha marítima e comercial do Norte, maioritário também em Sachsen. Ou seja, a CDU só perdeu nas regiões da indústria pesada, nas praças fortes da alta finança e no extremo Leste, ainda combalido dos efeitos retardados da inclusão pós-reunificação. O voto à esquerda (Linke pós-comunista e Grünen) parece ter angariado velhas clientelas dos apparatchik nostálgicos do estatismo da RDA, bem como da geração grisalha também nostálgica do "Estado social" que fez história nos anos 70 e 80. Quanto ao SPD, só mantém vantagem em regiões onde o sindicalismo tem implantada forte rede de clientelas, ou na região peri-urbana de Berlim, onde predomina o funcionalismo público. 
No que ao voto de direita extrema respeita (Alternative für Deutschland), apenas superou os 5% na capital e nas regiões mais conservadoras da Alemanha rural, sendo que o voto na extrema direita (NPD) quase desapareceu, confinando-se a bolsas no Leste e Baviera.
A Alemanha do mittelstand das pequenas e médias empresas, a Alemanha dos negócios familiares e das explorações agrícolas - a Alemanha do trabalho e do risco - votou pela manutenção de Merkel. 

7 comentários:

Arun Mai disse...

Again, wishful thinking and misinterpretation at its best. Germans had two votes to cast, one for the direct representative, one for the party lists. The result is that for the regional representatives 19769502 people voted for CDU candidates, 19596252 for the three centre-left parties´ candidates. The second vote for the party lists is 18157256 for CDU on one hand and 18690174 for the opposition parties.
What the map obviously does not show is that those few red areas are those of high population density. And of course, people in the cities can read and write…
The overall result is that Merkel can muster 311 members in parliament, the opposition 319. To elect a prime minister it takes 315. As a humanities student I might not be great with numbers, but it appears to me that Merkel has no majority in her support, neither in the population nor in parliament.

Combustões disse...

Sim, o Arun Mai sabe escrever...inglês. Quanto à lógica, parece-me pouco afeita às evidências da matemática, pois busca argumentos e eu limito-me a registar factos.

Luís Lavoura disse...

Não compreendo por que designa o AfD como "direita extrema", enquanto por outro lado designa o NPD por "extrema direita".

Em minha opinião o AfD tanto pode ser classificado de "direita" como de "esquerda". Não é nem uma coisa nem outra, é apenas por uma alternativa à atual forma de gestão da crise.

Combustões disse...

Foi intencional, caro Luís Lavoura. Por "direita extrema" quero dizer que se encontra à direita da CDU/CSU. Ora, a extrema-direita do NDP configura uma arrumação ideológica precisa.

Luis Carvalho disse...

Será que o mapa não se refere os resultados das eleições de 2009?

http://trans-siberiano.blogspot.de/

Cumprimentos...

Luis Carvalho disse...

Será que o mapa não se refere aos resultados de 2009?

http://trans-siberiano.blogspot.de/

Cumprimentos...

Flávio Gonçalves disse...

Fiquei surpreso por constatar que concorreram 4 ou 5 partidos de "extrema-direita" nestas eleições, o NPD obtendo o melhor resultado desse micro-cosmo.

Desiludido por os Die Liberalen não terem eleito ninguém, a divisão de votos da mesma área com o AfD resultou em que nenhum deles conseguisse eleger deputados.