28 agosto 2013

Mísseis de Agosto: a iminência de um conflito global ?


Um consagrado articulista britânico chamou ontem à atenção para as flagrantes similitudes entre o acidental despoletar da Grande Guerra, em Agosto de 1914, e a sucessão de episódios que acastelam os piores augúrios sobre a presente crise internacional. Falharam os mecanismos que podiam evitar que o conflito atingisse proporções por ora inimagináveis: a conferência de paz prevista para se realizar na Suiça não aconteceu; os mercenários terroristas pagos pelas petro-monarquias wahabistas e pelos EUA não vingaram; a guerra tende a espalhar-se pelos países circunviznhos da Síria; o Conselho de Segurança da ONU não consegue encontrar um entendimento; os EUA, França e Grã-Bretanha pretendem calcar os fundamentos plasmados na Carta das Nações Unidas; a Rússia surge como grande potência disposta a correr todos os riscos para se afirmar como obstáculo às investidas imperialistas.
Tal como em 1914, a diplomacia falhou e a política externa dos Estados parece estar ao serviço de agendas belicistas, parecendo não haver a mais pequena margem para um acordo genérico. Ora, o ataque dos EUA e seus parceiros implicará, tudo o indica, o envolvimento directo da Rússia numa guerra no earth land, situação que expõe o poder marítimo a riscos incalculáveis.A acontecer, os parceiros ocidentais terão de contar com o envolvimento directo de Israel, pelo que o Irão (e talvez a China) serão chamados a secundar o governo sírio mas, sobretudo, a Rússia.
Podemos estar, pois, na iminência de uma grande guerra no Médio Oriente e, até, de uma conflagração mundial cujo resultado é incerto. Um dia, os manuais de história dirão que neste Agosto de 2013 o Ocidente foi humilhantemente derrotado nos areais do Médio Oriente e que nesse Agosto se iniciou a retracção dos EUA enquanto potência global.

3 comentários:

Chardon Ardent disse...

Sans doute beaucoup d’agitation pour en définitive pas grand chose… Ne s’agit-il pas surtout d’un encouragement (par de fausses promesses) aux djihadistes pour éviter leur débandade face aux succès de plus en plus évident de l’Armée arabe syrienne…
J’ai publié sur mon blog l’hymne national syrien… À elles seules les paroles de cet hymne expliquent beaucoup… Bien sûr jamais il n’est question de l’islam… L’arabisme, les Syriens sont ceux qui parlent l’arabe le plus châtié. Référence marquée aux grands ancêtres… Mais surtout dans le texte arabe il ne s’agit pas de la Syrie mais de Bilad el-Cham ! Le Levant tout entier, la Grande Syrie…
Liban, Jordanie, Palestine n’ont jamais apprécié…
On comprendra aussi mieux toute la réserve d’un journal comme Présent à l’égard du martyre de la Syrie… Les Français restent attachés au Liban et à ses intérêts… Quand à Flanby, il ne comprend toujours rien… il veut « punir », mais saurait-il seulement situer la Syrie sur une carte ?

Paul disse...

J’ai écrit par inadvertance : "Quand à Flanby"… Ce qui n’a évidemment aucun sens. Il convient bien sûr de lire : "Quant à Flanby"

"Punir"… Le terme semble être également être utilisé par les USA… Quelle prétention ! On punit un enfant… quelqu’un sur qui l’on a une autorité… De tels propos sont absolument intolérables…

Flanby, président par la grâce d’une fellation qui a mal tourné, n’est par là-même qu’une souillure… Comment peut-il oser prétendre punir le président de la Grande Syrie, Bachar el-Assad ? Insensé !!!

Lionheart disse...

Westminster humilha 10 Downing Street. Assim se vê a força do Parlamento britânico devido à autonomia dos membros do Parlamento. Isto sim é uma Democracia a sério.

A liderança do Partido Conservador por David Cameron sofreu um abalo considerável devido a esta falha de percepção muito grave quanto ao sentimento do povo britânico e dos membros dos partidos da coligação relativamente a uma intervenção britânica no conflito da Síria. Logo numa altura em que a economia britânica está a recuperar, Cameron quis ir a todas e meteu-se numa alhada por causa da Síria, dando uma prenda a Ed Milliband que estava encostado às cordas. Em política, de um momento para o outro tudo pode mudar se se deixar cair a bola. Isto em Democracias mais sofisticadas, com actores políticos autónomos e qualificados e uma imprensa que não seja só recadeira.