25 agosto 2013

Festival de Bayreuth de 2013, ou a nostalgia de sonhar grande


Wagner, não obstante tudo o que dele quiseram fazer, foi, talvez, o mais completo dos génios musicais do século XIX. Que eu saiba, é o único vulto da cultura europeia que mantém um culto civil não subvencionado pelo Estado, uma peregrinação anual, liturgia e milhões de seguidores. O mistério de Wagner é muito simples. Contrariou - e continua a contrariar - o mundo dos insectos para onde nos arrastam a ideologia do dinheiro e a ideologia da inveja daqueles que o não têm. A aspiração à grandeza, à diferença e ao viver em desafio, ascensão às alturas e à solidão - características repelidas pela burguesia que só fala em negócios e resposta ao homem-massa que vive em permanente afã nivelador e integrador - constituem um programa ético. A Europa muito ganharia se reaprendesse a exaltar-se com as suas grandezas, verdadeiras ou míticas, se deixasse de ser um conglomerado de negociantes e burocratas e se soubesse interpretar a música de Wagner - fremente de vida, sonho e energia - como um desafio ao colapso.

3 comentários:

PPA (A Incúria da Loja) disse...

Caro e inigualável Miguel,

A propósito do post, fez-me recordar, não sei bem porquê, aquela passagem do Woody Allen em diálogo com a Diane Keaton em Nova Iorque, no filme “Manhattan Murder Mystery”, que ao sair de uma ópera de Wagner ele dizia:

«I can't listen to that much Wagner. I start getting the urge to conquer Poland»

http://www.youtube.com/watch?v=l-DZixyuPqg

Maria disse...

Claro que tem toda a razão. Mais escrevera e mais acertara. Tudo quanto a imprensa mundial e a doméstica na quase totalidade (todas elas controladíssimas por poderes ocultos, mas que o não são tanto quanto isso) afirmam sobre este conflito fabricado, são mentiras atrás de mentiras e o pouquíssimo que o não é traduz-se em exageros vergonhosos para deturpar propositadamente a realidade.
Quando é que um movimento a nível mundial composto por gente independente e patriótica bane de uma vez por todas do Planeta este bando de malditos (na verdade e personificação do Mal) que se escuda por detrás dos governantes das principais potências e que se auto-intitulam os salvadores do mundo, porque (e não se fartam de o proclamar cìnicamente) são os introdutores da democracia nos países que a não pediram nem desejam, estando a destruir gratuita e paulatinamente esses mesmos países matando simultâneamente milhões de inocentes? O que eles querem sabemos todos nós. A democracia? Qual democracia!, estes demónios estão-se completamente nas tintas para ela. Basta ver os dramas humanos inenarráveis que estão a acontecer diàriamente nos vários países em que os malditos introduziram nos últimos tempos a 'democracia'.

Muitos parabéns pelo escrito.

João José Horta Nobre disse...

Publquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/08/festival-de-bayreuth-de-2013-ou.html

Não sei se também se pode considerar, mas o Tolkien também mantém um grande "culto civil não subvencionado pelo Estado".