15 julho 2013

O aquário que fala


Alegre expande-se em doutas considerações sobre a crise. Como qualquer peixe do aquário da oligarquia, vive desligado da exterior realidade comezinha: não trabalha, não está submetido a avaliação, não tem objectivos profissionais. Vence no dia certo, nunca foi assoberbado pelas ninharias da engenharia das finanças caseiras - da renda, da letra que vence, da água, da luz, do gás, do tal livro que se gostaria de ter - nem foi visitado pelo espectro do desemprego. Para ele (como para tantas centenas de outros) a vida é um contínuo sem atribulações. Se lhe perguntarem pela profissão, não tem. O grande drama desta gente que vive da vida fácil há décadas - Alegre não tem o exclusivo da profissão "sem profissão" - é a de terem perdido in nihilo tempore a mais pálida ideia do que é ter preocupações. Dedica-se à arte fácil da política, como tantos milhares de fulanos que enxameiam as sedes da vida despreocupada em busca de um lugar na câmara, no parlamento, na fundação, no ministério. Quando os ouço perorar sobre tudo e sobre nada, dando conselhos, de dedo em riste sentenciando o caminho certo, às vezes me espanto com o topete; outras enche-se-me o peito de raiva. Em tempos que já lá vão, a classe política [sem classe alguma] ainda se podia vangloriar de uma ocupação. Passaram 40 anos (duas gerações) e os sobreviventes da manhã radiosa continuam a exigir dos portugueses a renda por feitos míticos decididamente tão magníficos como a tomada de Troia ou as Termópilas. Um dia, quem sabe, um gato curioso com aquelas criaturas, tira-las-á do aquário e aí, sim, será um sufoco.

2 comentários:

alberico.lopes disse...

É preciso não esquecer que este labrego - mais conhecido pelo alegrete do garrafão de Águeda - tem sobretudo no seu cadastro uma flor de que se deve orgulhar. Era a Voz de Argel que tinha como escopo fundamental a denúncia da localização dos nossos soldados que bravamente lutavam em África contra os turras e que,assim,eram esquartejados à catanada,fruto das coordenadas que esse traidor lhes transmitia!Num país a sério,tanto ele,como o soares e bem assim o outro ladrão da democracia chamado Almeida Santos,teriam sido encostados à parede!Mas cá não:são os "pais da democracia",seja lá isso a merda que for!

José Domingos disse...

O curriculum deste alegrete, é ter sido toda a vida, um antifassista, desde argel, que é assim. O que fez ou disse em Argel, não interessa, tem direitos e tem direitos. A "elite" libertadora de Portugal, tem direito a essas mordomias, vindas do orçamento, que é pago por nós todos.
Porque? Porque sim.