26 julho 2013

Álvaro, o que não conseguiu aquilo que ninguém muda



Está consumado. Foi-se embora. Esta terra tem o condão de repelir tudo o que não compreende, sobretudo se a carapaça albanesa, búlgara ou suazi de atraso estrutural, conformismo e aceitação do inaceitável - a cultura da maledicência, do "não vale ultrapassar", da preguiça que obstaculiza, imposta como cartilha do parece-bem e do "é assim que se faz" - for posta em causa por um parvenu. Este é o país onde não há carreiras, pois mal um individuo se consegue erguer sobre as duas pernas, logo a caterva de díscolos sobre ele faz chover uma saraivada de pedras (pedras de estupidez, pedras de ignorância impante) e fazer correr os dichotes e remoques do "é um tipo estranho", "não se adapta", "tem um carácter difícil". Contentes nesta Sicília transbordante de génio e sucesso, assim continuaremos sonhando com grandezas fanadas e importâncias que já mal se vêem. Álvaro Santos Pereira é a última aquisição da galeria dos homens que este país não mereceu, mas que depois de partirem, insuflam o mito do sebastianismo.
Álvaro cometeu o tremendo erro de acreditar num país industrializado, feito de empresas ousadas e inovadoras animadas pelo afã da boa concorrência, um país exportador, visível na cena internacional e respeitado pelo trabalho. Acabou. Ficam as conversas tolas que rendem favores, o concurso consensualizado, a obra prometida, as comezainas phony-baloney e o chocalhar de on the rocks de conversas sobre o open de Cascais, o golfe e outras coisas notáveis.

1 comentário:

José Domingos disse...

Excelente. nem mais.