04 junho 2013

Os preppers das esperas


Por onde quer que passe um membro do governo, há um rancho se tricoteuses, de pleureuses ou de preppers em lancinantes gritos e em arrancar de cabelos. Dizem que são as redes sociais que os chamam para estas patuscadas que envolvem logística, secos e molhados, transporte, faixas, megafones, camisas estampadas. São desempregados, dizem, gente em desespero e na iminência da fome ou de noites ao relento tendo como tecto o céu estrelado. A ficção é bênção que só favorece o estômago cheio. Se atentarmos nas imagens dessa comunicação social entregue a meninos semi-letrados e a empresários do sensacional, os fazedores de esperas galegas são tudo menos o quarto estado das vítimas da fome, da penúria e do abandono. No passado fim de semana prometeram-nos uma manifestação a perder de vista. Desde manhã cedo, as televisões não pararam de conclamar à revolta, à indignação, ao basta, expressões sentimentalóides sem substância que justificam todos os palavrões, todas as ameaças e desrespeito. Depois, chegou a tal massa de descamisados e ventre-ao-sol. Afinal, não passavam de 300 (ou seja, oito horas de badalar de sinos das tv's resultou em 40 protestantes por hora)  e eram, sem tirar, o que já víramos na geração à rasca e no tal famoso 15 de Setembro que não deu em nada.
Há quem continue a pensar que Portugal sairá da crise na exacta proporção dos urros e das banalidades ultra-românticas que se ouvem, um magma de patetice que nos envergonha da nossa condição de portugueses. 
Ontem à noite Augusto Mateus deu uma lição de elevação. Mostrou, com máxima eloquência, que Portugal caiu na crise que escolheu e adubou durante décadas. Disse que o estado actual não se deve a outra coisa - afirmou-o educadamente - que à loucura generalizada que se instalou em Portugal, pelo que sair da crise implica moderar, poupar, viver com parcimónia, abandonar os delírios de grandeza, trabalhar melhor, produzir mais e menos caro. Os "preppers" sonham com o país da Cocanha. Querem o dinheiro da Troika, mas recusam pagar as dívidas. Querem o dinheiro alemão (60% de tudo quanto chegou a Portugal durante 25 anos veio dos cofres alemães) mas não querem a Chanceler Merkel.
Portugal enlouqueceu, é verdade, mas continua alienado. O grande combate falhado deste governo reside precisamente no facto de não ter conseguido explicar aos nossos queridos concidadãos que a vida farta, os cartões de crédito, o telemóvel novo ano sim, ano não, os 3 computadores por casa, as carrinhas do supermercado a abarrotar de lixo importado; tudo isso acabou, não vai voltar. Acordem !

5 comentários:

José Domingos disse...

Este povo de pindéricos, não quer aprender, é p oaís do volfrâmeo, das canetas de ouro e dos patos bravos, convencidos que são alguém.

EJSantos disse...

"...s do supermercado a abarrotar de lixo importado; tudo isso acabou, não vai voltar. Acordem !"

Sem dúvida.
Mas também seria bom que os governantes dessem o exemplo (por exemplo, acabar de vez com os "job for the boys" e com os favores a empresários "amigos").

De resto, dava jeito que o desemprego descesse, embora isso não dependa, essencialmente, dos poderes públicos.

Ah, também seria bom ver os nossos concidadãos terem mais respito à eduação e cultura. O analfabetismo não ajuda um país a sair do sub-desenvolvimento.

EJSantos disse...

Mas uma coisa é certa: vivemos uma época muito complicada.
Desagrada-me os governantes, as elites e o povo. A maioria, dentro de cada um destes grupos, tem comportamentos de um egoismo e de uma tacanhez assustadora.
Acredite: estou muito triste com isto tudo.
Cumprimentos.
EJSantos

Carlos Rua disse...

Boa noite, apesar de ter uma opinião sobre este texto nada simpática, quero dar o beneficio da dúvida e perguntar o que raio tem isto a ver com os preparadores Portugueses?

Cumprimentos
Carlos Rua

Carlos Rua disse...

Boa noite, apesar de ter uma opinião sobre este texto pouco simpática quero dar o beneficio da duvida e perguntar o que raio tem isto a ver com os Preparadores Portugueses?

Cumprimentos
Carlos Rua