16 junho 2013

Ninguém tem o monopólio da estupidez


Alter do Chão, juntamente com o Porto a mais antiga marca portuguesa, foi extinta por decreto celerado. Sei que a estupidez, a rusticidade mental, a insensibilidade troglodita, o analfabetismo e o casca-grossismo da nova burguesia feita de MBA's nos states pouco compreende, nada sabe e recusa tudo quanto não compagine com a dita literatura esconde-tolos do "how to get rich quickly". Perante o facto consumado, e porque o dinheiro e os negócios se fazem com uns fulanos quase atrasados mentais que julgam que ter educação se limita a assinar cheques e ler as bolas, aqui deixo às supinas meninges arrasa-cultura uma lista de inúteis instituições que urge extinguir;

- Arquivos Nacionais / Torre do Tombo, papéis velhos acumulados pelo coleccionismo diletante. Aquela papelada é anterior ao word e ao excel. Agora, sim, com uma digitalizadora, compacta-se aquela inutilidade toda e recicla-se. Poupa-se a cafetaria, onde se bebe café e umas madalenas. O edifício dará um bom hostel.

- Biblioteca Nacional de Portugal, três milhões de cartapácios oriundos de mosteiros, livros de horas e outra tralha iluminada, bibliografia antiga e contemporânea para desocupados, colecções de periódicos, cartografia, iconografia, música, espólios literários, toneladas de papel lidos e relidos por gente que se julga mais inteligente que os outros.
Poupa-se o refeitório, onde se servem umas boas tostas mistas e o edifício servirá para um esplêndido parque automóvel.

- Museu Nacional de Arte Antiga: umas tábuas e umas serapilheiras (telas) pintadas com santinhos e anjinhos, umas vistas de cidades velhas, umas visões do inferno em que os obscurantistas acreditavam, uns painéis estranhos com gente apinhada, uns de joelhos, outros de pé com uns livralhões escritos numa língua desconhecida. Ali fecha tudo, menos o restaurante, onde se pode falar de negócios. O edifício daria um óptimo condomínio.

Dizem - só acredito quando o 1º Ministro se pronunciar, que afinal é a fundação que vai ser extinta e não a coudelaria. A experiência das últimas décadas de guerra contra a cultura portuguesa ensina-me que a destruição se faz, quase sempre, por etapas. Aguardemos. Eis uma excelente matéria para a intervenção do Dr. Paulo Portas.

3 comentários:

Daniel Azevedo disse...

Caro Sr.

Estava a ler o seu desabafo e lembrei-me de uma que ocorreu comigo em tempos em que era mais novo e ainda tinha alguma fé na espécie...

Tratava-se de decidir onde se faria uma viagem de fim de ano ou lá o que era, embora já todos tivéssemos mais de vinte.

Pois bem, ao ser proposta uma ida a umas ruínas há um que responde:
"Xiii!
Ruínas?!
Para ver ruínas implode-se um prédio!"

Quando a matéria-prima é esta, está à espera de quê meu caro? Q.E.D.

Cumprimentos
DAzevedo

Lionheart disse...

Olhe que ainda o levam a sério! Podem não compreender a sua ironia e vai mesmo tudo pró prego.

Diz bem da intervenção do Paulo Portas. Apesar de ser por vezes imaturo, é dos poucos políticos com cabeça aberta e por isso os larangas invejam-no. Temem a sua capacidade de comunição por comparação com o fraquíssimo Passos Coelho. Não deve ser fácil ter de fazer parte de um governo quando não se respeita o número 1 e 2 do executivo...

A troika teve de fazer engolir muita coisa, por isso as coisas só seguirão o curso "normal" quando a intervenção estrangeira formal terminar. Uma delas será o fim da coligação, com certeza, porque enquanto o PSD mantiver a actual liderança, não creio haver condições para que os dois partidos da direita se voltem a coligar em eleições legislativas.

Além do mais, não creio que ser descabido que Passos Coelho venha a ter oposição interna, pelo contrário. Há dois anos pela primeira vez um Primeiro ministro eleito perdeu as eleições. Só há uma coisa que ainda não aconteceu na democracia portuguesa e que é o partido do governo substituir o seu líder antes de perder as eleições. Algo que é derivado da falta de qualidade da democracia portuguesa, pois não têm faltado exemplos em que tal devia ter sucedido, como por exemplo, com José Sócrates, por razões óbvias. Mas a ausência de autonomia dos deputados, a falta de vergonha dos políticos e a canalhice dos aparelhos partidários não o permite. O Sócrates se quisesse ainda era reeleito líder do PS com aclamação.

Mas também esta situação vai deixar de ser inédita, por necessidade vital do PSD assegurar a sua sobrevivência como o maior partido da oposição. A sua colagem a uma intervenção externa mal desenhada e que tem tido efeitos colaterais muito graves no país, exigirá uma mudança na liderança do partido sob pena da derrota de Santana Lopes parecer "suave" por comparação com o que espera o PSD nas próximas eleições. Especialmente se o CDS se conseguir aguentar, e aqui tudo aponta para que sim. O indicador a seguir agora não é tanto as intenções de voto no CDS nas sondagens mas sim a popularidade de Paulo Portas. E esta está bem acima da de Passos Coelho, só superada marginalmente por António José Seguro...

alberico.lopes disse...

Essa da popularidade de Portas já era, em 19 de Junho!Hoje,6 de Julho,creio que não será bem assim!Vai uma apostinha?