06 maio 2013

Atacar a vítima


O Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas e aquele conjunto de procedimentos e atitudes que se exigem dos actores da comunidade internacional parece não se aplicarem, de todo, a alguns Estados. Os inopinados ataques aéreos desferidos desde a noite de sábado contra a Síria trariam imediatas consequências punitivas ao agressor. Infelizmente, não trouxeram nem trarão, pois enquanto Estado-cliente de um dos membros efectivos do Conselho de Segurança, o agressor pode ameaçar a paz, violar fronteiras, matar centenas de cidadãos de um Estado vizinho, atacar-lhe a capital e até blasonar e ameaçar com mais investidas. O princípio que rege a comunidade internacional é o da reciprocidade. Contudo, se a Síria ripostasse na proporção das ofensas recebidas, seria de imediato alvo de intervenção militar. No caso vertente, mais que supostos como anódinos ataques visando impedir que misseis iranianos chegassem ao Líbano, os bombardeamentos surgem de manifesto como provocações - impunes provocações - visando a abertura de hostilidades. Washington insistiu na peregrina mentira da existência (e utilização) pelos sírios de miríficas armas de destruição massiva, argumento que em 2003 desculpou a invasão e destruição do Iraque. Agora, com a chancela das Nações Unidas, fica-se a saber que, afinal, a utilização de armas químicas no conflito sírio é inteira responsabilidade dos chamados "rebeldes" sírios; a saber, dezenas de milhares de mercenários líbios, tunisinos, iemenitas, turcos e muçulmanos vivendo no Reino Unido, França, Canadá e EUA.
Os bombardeamentos têm duas explicações. Em primeiro lugar, falhou a invasão jihadista, pois que a Síria parece ter ganho a guerra. Falhada a insurreição "democrática" que era, afinal, um assalto ao poder por forças alinhadas com a Al Qaeda, procura-se alargar o conflito. Surge de manifesto que se pretende agora espalhar o conflito ao Líbano e, assim, criar o vazio em torno de Israel; países destruídos, calcinados, dilacerados por crónica instabilidade e guerra civil endémica. Trata-se, pois, de crimes contra a humanidade, conspiração contra a paz e a segurança internacionais, violação dos fundamentos da Carta da ONU. Mas há Estados que não aceitam a Carta nem rubricaram a convenção que rege o Tribunal Penal Internacional, pelo que se colocam num patamar de realismo hobbesiano, ou seja, de absoluta indiferença e desrespeito pelo Direito e pela moral internacionais. Atacar a vítima, eis a triunfante palavra de ordem.
A guerra entre a Síria e Israel poderá ter um desfecho muito similar àquele da falhada investida judaica contra o Líbano. Israel falhou, ou seja, foi derrotado. A dureza, tenacidade e perseverança até hoje demonstradas pelo povo sírio parece não augurar nada de bom para os israelitas. Israel parece não se ter dado conta que o tempo das guerras desiguais terminou.

3 comentários:

Maria disse...

Vai tudo processar-se exactamente como descreveu. O mais dramático de tudo isto é que os trágicos conflitos bélicos que se avizinham, sucedendo aos múltiplos anteriores, vão matar mais centenas ou milhares de inocentes, fora as muitas dezenas de milhar que já morreram em consequência das investidas criminosas precedentes no mesmo campo de batalha, justificadas sempre com a mesma monstruosa falsidade, "armas de destruição maciça no território inimigo" - os bandidos nem se dão conta do ridículo por que passam ao socorrerem-se sempre da mesma vergonhosa trapaça. Mas atendendo a que eles, os donos do mundo, estão positivamente a borrifar-se para a morte de inocentes, os quais apenas pedem paz sem exigir nada em troca, é justamente isso que eles desejam ardentemente que lhes aconteça e citando os próprios "reduzir para metade a população mundial". Se para que tal aconteça tiverem que assassinar milhões de seres humanos indefesos, melhor que melhor. Com este abominável procedimento eles ganham em todas as frentes. Primeiro tratam de semear o terror através do genocídio das populações; depois e já gerada a confusão, seguem-se os saques às riquezas e preciosidades do país, à luz do dia e em plena liberdade (vide os nossos políticos-ladrões e assassinos, peritos na matéria, que após tantos anos a roubar desalmadamente os portugueses, continuam a sua vidinha regalada sem serem mìnimamente incomodados pela Justiça); e mais tarde, uma vez implantada a 'democracia' no país prèviamente destruído (e que, contràriamente às brutas mentiras propaladas pelas principais potências ocidentais, ninguém pediu) tratam de sacar os longamente ambicionados e finalmente alcançados biliões que advirão da 'benemérita reconstrução' das cidades dizimadas. Se alguém os culpar da morte de civís - mulheres, criança e idosos - apanhados nos bombardeamentos e/ou em fogo cruzado, os hipócritas têm sempre a mesma resposta na ponta da língua "isso são danos colaterais". E em reuniões secretas os malditos celebrarão os crimes nefandos, anunciando aos bandidos presentes: "esta semana (este dia, estas últimas horas) pulverizámos mais alguns milhões, o nosso objectivo de despovoar o Planeta está paulatinamente a ser atingido".

A maldade humana não tem limites.

Luís Palma de Jesus disse...

rebeldes sírios e canibalismo:
li no blog do reinaldo azevedo
http://youtu.be/3UTdo5_8Mnc
nota:
este video está em constante «remoção» do youtube

EJSantos disse...

Parace que o Sr Luís Palma de Jesus já referiu o estranho caso do "lutador pela liberdade" que mutilou um cadáver de um soldado e comeu o coração.
E o ocidente (Escrevi o "o" com letra minuscula de proposito, não foi lapso) apoia estas criaturas (os rebeldes)?
Que época degenerada, esta.