12 abril 2013

Sete anos e sonhar alto


Sete anos de extensão, reconhecimento que nos separa definitivamente das Grécias e dos Chipres, colocando-nos na companhia da Irlanda. Boas notícias que requerem que se passe da fase de urgência e da tributação fiscal sem complacências - por vezes raiando o terrorismo fiscal - para a necessária subalternização das finanças perante a Economia. O trabalho foi feito. Ao governo, que resistiu a frondas e jacqueries, exige-se agora que procure por todos os meios a abertura de linhas de crédito junto dos bancos europeus, por forma a garantir reinvestimento aos empresários escapados à penúria. A crise não se vence com messianismos, lamúrias e apóstrofes, não se esconjura com manifestações e garotices. Seria oportuno que o governo pensasse seriamente em dar um sinal de lenta retoma da normalidade, revendo aspectos da política fiscal de emergência, sobretudo aqueles que inibem o retorno ao trabalho de dezenas de milhares de desempregados. Baixar o IVA da restauração para os valores anteriores, reescalonar as categorias da tributação e bonificar fiscalmente as empresas que contratem novos trabalhadores; eis as boas notícias que permitiriam uma longa trégua para o verão que se aproxima.
Para sonhar além, ouro sobre azul seria uma profunda reforma militar que retomasse o velho e saudoso SMO, acabando de vez com a famigerada "profissionalização" que devora em salários 80% dos 2.200 milhões destinados à Defesa. Ouro sobre azul seria a prometida redução das 3000 juntas para gabinetes de atendimento permanente de munícipes, a privatização dos portos, a revisão dos escalões de pensões e reformas, estabelecendo tecto análogo àquele que a Suécia e Finlândia impuseram nos anos 90. Ouro sobre azul, finalmente, seria o do corte do apoio que o Estado concede a mil e uma curibecas que dão pelo nome de fundações, a extinção por decreto de todos os observatórios, a revisão integral dos cargos de favor político, a denúncia pelo Estado de todas as PPP's.

3 comentários:

João Amorim disse...

caro Miguel

O fim do SMO tem sido a causa da deseducação de parte da juventude que anda aí ao deus dará; O SMO não fornecia apenas apetidões (mesmo que básicas) de cariz militar mas também formação, discipina e respeito pelas hierarquias.
Ambos sabemos que a nossa esperança não morre e, por isso, também sabemos que nesta República será difícil o ouro sobre azul, talvez ouro sobre verde-tinto, o que é aquém.

abraço

Luís Lavoura disse...

Baixar o IVA da restauração para os valores anteriores

Por quê? Será que o tipo de economia que se pretende desenvolver é baseada na restauração? E será que os restaurantes cobram mesmo IVA?

a privatização dos portos, a revisão dos escalões de pensões e reformas, estabelecendo tecto análogo àquele que a Suécia e Finlândia impuseram nos anos 90

Com estas duas estou plenamente de acordo.

EJSantos disse...

"Para sonhar além..."
Excelente. De acordo.