06 abril 2013

Quando a barbárie tomou conta da Rússia


A queda do comunismo permitiu o desbravar de imensos arquivos de Estado da defunta URSS, agora franqueados a investigadores. O regime concentracionário e altamente burocratizado armazenou milhões de processos, tendo sido, de facto, o inventor de tudo aquilo que durante décadas se imputou ao nazismo: a polícia política, os campos de concentração, o extermínio de minorias étnicas e grupos sociais, o terror como instrumento permanente da acção do Estado, a inexistência de lei, a prática da denúncia como elemento cumpliciador da sociedade. A sovietologia deu prioridade ao período estalinista, quando a maquinaria exterminacionista atingiu a sua máxima eficácia. O período leninista foi, porém, o laboratório para todas as práticas subsequentes. A coberto de uma guerra civil, o poder bolchevista declarou guerra aos povos do império, aproveitando a circunstância para destruir por inteiro a sociedade civil, banir a religião, erradicar os últimos vestígios da normalidade quotidiana, abolir e fazer esquecer os traços de humanidade. Durante quatro anos - o período do chamado Comunismo de Guerra - foram mortas cerca de três milhões de pessoas em consequência de enfrentamentos militares, massacres, inanição, marchas de morte. Uma guerra que ceifou o triplo de vidas russas perdidas na Grande Guerra e quase de metade daquelas que iriam perecer na Segunda Guerra Mundial. 
Parcialmente disponível em linha, a obra de David Bullock põe em evidência aqueles homens que corajosamente tentaram impedir que a selvageria se instalasse no império em desmoronamento, oferecendo pungentes testemunhos do heroísmo dos comandantes Brancos e da luta desesperada que mantiveram durante meia década contra inimigos que não reconheciam qualquer norma de decoro. A ler, pois, esta breve mas séria incursão ao tempo em que se fundou a abominação longeva que se veio a chamar União Soviética.

Прощание славянки - Proshchanye Slavyanki (hino dos Russos Brancos)

3 comentários:

Isabel Metello disse...

Miguel, conheci uma criatura que estava a tirar o curso de História que negava a solução final soviética, dizia que se tratava de "um mito urbano"! Agora, nesta época em que se discutem percursos curriculares, a minha pergunta é: quantos casos conheci de licenciados analfabetos funcionais?! Quantos casos conheço de Mestrados e Doutoramentos feitos à pressa no período pós-Bolonha?! Quantos casos conheço de professores universitários que se foram sitiando e situando sem qualquer tipo de excelência e mérito, tantos com passagens administrativas durante o PREC?! Demais! Que moral tem esta gente para criticar seja o que for?! E mais- há muito boa gente sem licenciaturas com uma cultura geral e Uma Sabedoria muito Superiores a qualquer "dótoura" e "dótor" feitos à pressa! Conheci uma, com licenciatura acabada em Estudos Europeus, que denominava a Guerra Colonial como "a guerra do Salazar" ipisis verbis! Se se orientassem por Princípios era tudo a eito! Mas tb há que reconhecer algo- como disse o João Miguel Tavares e muito bem, no "Governo Sombra", nunca, jamais, em tempo algum no governo anterior alguém se demitiria por questões académicas mal resolvidas e nunca jamais em tempo algum os media teriam tido tanta liberdade (atente-se no caso Face Oculta e no que aconteceu a José António Saraiva, verdadeiramente acossado!)-contra factos não há argumentos: veja-se o Caso Sócrates e UNI! E mais, como JMT tb disse, o que deveria ser perguntado ao JS, hoje, era "a sua opinião" sobre a licenciatura de Miguel Relvas. Ah, e interrompam-no, para que ele comprove que é "um grande comunicador", pois qualquer um sabe ser interrompido, não necessitando de recorrer à matraqueagem decorada para argumentar fundamentadamente! E, já agora, que esclareça a questão vinda a lume pelo Correio da Manhã de um agricultor (quiçá com muitas mais competências!) ter encontrado 263 cheques em seu nome (de JS), de vários bancos, quando este jurou que só tinha uma conta na CGD. Anda tudo "somado" (de soma, a bebida alienatória huxleyana), só pode ser isso!

Maria disse...

Excelente análise, excelente vídeo. E neste uma pequeníssima amostra do completo horror das diabólicas experiências genéticas atribuídas durante tanto tempo aos médicos nazis e afinal todas levadas a efeito pelos médicos soviéticos e do mais horrendo que a pior das imaginações poderia conceber.

luís palma de jesus disse...

Um post e uma dica de leitura que desconhecia. obrigado.

Para coisas de espantar: há pouco, o governo brasileiro aprovou um voto de solidariedade política, ou coisa que o valha, para com o governo da coreia do norte