09 abril 2013

Morreu um grande homem


A morte de Margaret Tatcher Young será, talvez, o fim daquela geração de líderes que conheceu a guerra, geração educada numa escala de grandeza e responsabilidade contemporânea dos impérios. Olhavam o mundo sem medo, não duvidavam por um segundo da superioridade da Europa, entretanto universalizada, não temiam os desafios, os conflitos, as rupturas e, até, as guerras, caso nestas estivesse envolvido o sim e o não do Ocidente.
Depois, vieram os diluidores, o uomo qualunque de muita mercearia, perspectivas toldadas pelo negócio certo ou, pior ainda, os plutocratas sem civilização e sem convicções. Margaret Tatcher, gostasse-se ou não dela, foi, de facto um grande homem, aqui entendido para lá das patetices do género como máxima expressão de vontade, coragem, obstinação lutadora, incapacidade para os consensos mortais. A Europa, ou o que dela resta, morreu hoje um pouco mais.
Margaret Tatcher foi sempre uma mulher dos anos 40, não aderiu às puerilidades bem-aventuradas de um socialismo para encostados. Acreditava nas pequenas virtudes das pessoas que assumem riscos, que lutam por si, construindo palmo a palmo a sua liberdade perante os grupos, os caciquismos, o pão do Estado. Encontrou o Reino Unido reduzido a 17ª potência mundial, dominado pela mafia do sindicalismo que gritava pela liberdade mas que a ia matando, uma sociedade refém de greves de coveiros, de almeidas, indústria obsoleta, taxas proteccionistas, inflação de dois dígitos, falso emprego pago pelos cofres do erário. O combate que desenvolveu libertou a Grã-Bretanha da insignificância, voltando-a a colocar no pelotão dos Estados que fazem a agenda internacional. 

2 comentários:

Rogério Silva disse...

Desde sempre admirei esta GRANDE MULHER!
De facto, "Morreu um grande Homem"!!

Lionheart disse...

Margaret Thatcher defendeu a Democracia e o Estado de Direito no seu país contra a avançada soviética que se infiltrou no Partido Trabalhista e nos sindicatos. É por isso de toda a justiça que Tony Blair e Gordon Brown a respeitem, porque indirectamente lhe devem a sua carreira política. Se Thatcher não tivesse civilizado os sindicatos, o New Labour jamais teria sido possível nos anos 90 e Blair nunca teria sido eleito líder do seu partido. Nem Blair, nem antes dele John Smith.

Toda a gente fala como ela era ideológica e divisionista. E os outros eram o quê? Até parece que ela era uma "megera" e que um dia lhe deu uma má e desata de mudar tudo, quando antes estava tudo tão "bem". Que hipocrisia. Mas não vale a pena branquear a história.

O Labour no início dos anos 80 era liderado por um comunista (Michael Foot), enquanto os sindicatos não respeitavam o regime democrático e a autoridade do Estado. Ela teve de impôr o Estado de Direito e a vontade da maioria, que a elegeu em três eleições seguidas. David Cameron tem toda a razão quando diz que ela salvou o Reino Unido. Imagine-se a alternativa, se não tivesse sido bem sucedida.

Chora-se o "fim" dos mineiros, mas trata-se de um grupo social que tinha o país refém. A sua política teve custos sociais, pois teve. Mas a política dos governos anteriores não teve custos ainda maiores, com um país intervencionado sob o comando do FMI, um Estado desacreditado, um sistema político a ser minado por dentro e uma sociedade descrente? Thatcher dividiu o país? E antes, estava unido, por acaso? É preciso ter uma lata.