19 abril 2013

Guiné-Bissau: 40 anos de desastre


Quarenta anos após a proclamação da independência em Madina do Boé, logo pressurosamente reconhecida pelo "mundo socialista", a Guiné-Bissau é um Estado a todos os títulos falhado. Crónica ininterrupta de matanças - tudo começou com o extermínio de cinco mil ex-soldados negros que haviam servido Portugal - governos corruptos, prepotentes e envolvidos em práticas de banditismo organizado há muito denunciados pelas agências de combate ao tráfico de armas e drogas, a história da chamada Guiné-Bissau exprime ao limite o fracasso dos ingénuos sonhos independentistas africanos. Cinco golpes de Estado, uma guerra civil, crudelíssimos ajustes de contas, fome, ausência de lei e ordem, regressão e incúria extremas; eis a herança do capitulacionismo do MFA.

Manifestação por Portugal em Bissau, 1968

A Guiné-Bissau é um Estado pária, muito embora a má-consciência do piedoso paternalismo lhe continue a assegurar representação nas Nações Unidas. Trata-se de um não-Estado usurpado por grupos armados, vivendo da caridade internacional e de crédito a fundo perdido. Ali, a esperança de vida é inferior à das primeiras estatísticas dos anos 30, ali campeiam as doenças endémicas - que o "colonialismo" havia erradicado - como soçobraram a Saúde, o Ensino, a Lei e todos os adereços elementares que configuram a existência de um Estado.

Exército português da Guiné

Em 1974, Bissau era uma pacata capital colonial, traçado ortogonal, ruas limpas, árvores caiadas a meio-tronco, jardins, hospitais, escolas. Hoje, Bissau é uma lixeira a céu aberto, gente esfarrapada, edifícios esventrados, ruas esburacadas e contaminadas pelos detritos vazados. Na prova final do julgamento da História, a Guiné Portuguesa era uma colónia, mas verdade seja dita, tratava melhor os seus naturais que a patética ficção de uma independência que não é sinónimo de liberdade, mas de insegurança, morte lenta e desesperança.

7 comentários:

Luís Lavoura disse...

o capitulacionismo do MFA

Seria mais correto falar de capitulacionismo nos casos de Angola e de Moçambique: na Guiné a guerra estava, em grande parte, perdida, quer o MFA quisesse capitular quer não. Apenas um terço do território estava sob o controle firme de Portugal, outro terço estava na posse firme da guerrilha. Os guerrilheiros já tinham mísseis terra-ar que lhes permitiam neutralizar a aviação portuguesa. Capitular na Guiné era uma necessidade, não uma opção.

R. disse...

tratava melhor os seus naturais Com que base o amigo pode dizer uma coisa destas?
Em 1974, Bissau era uma pacata capital colonial,
Pijiguiti, não lhe diz nada?! As tensões entre fulas e papéis sempre foram uma constante. A Guiné não era um Estado como o pinta. Há outras formas de escrever o que escreveu. Mas o amigo decidiu escrever uma coisa completamente incomparável.
R.

lusitânea disse...

Tudo bem menos nas culpas todas ao MFA.Afinal quem é que de facto aqui "governou" até às independências?Quem é que organizou o "nem mais um soldado para as colónias"?Quem é que não queria fazer o assalto à cubata?
Tome nota:o 25 foi um "golpe" que depois foi transformado em revolução por outros.Vindos das prisões e do estrangeiro...

ps

Se discordar diga lá o nome de um único político que se tenha oposto à entrega de tudo o que tinha preto e não era nosso, mesmo com expulsões em massa e confiscos...

R. disse...

Já agora. Os "Aldeamentos" só começaram com o Spínola. E como refere em cima o amigo Luís, a Guiné foi onde a guerra teve maior inpacto. Mais não seja porque foi onde a guerrilha esteve mais bem equipada, neste caso com mísseis terra-ar.
A taxa de "pobreza", aguá canalizada, obras públicas etc era diminuta. Não era "pacata" como a pinta.
R.

Combustões disse...

Chega de fingimentos e cobardia que tudo desculpam; chega de juntar os nomes de vítimas e assassinos, de soldados e desertores..

Maria disse...

O tal "mundo socialista" determinou que aqueles povos necessitavam duma urgente, porque ansiosamente desejada..., auto-determinação (povos esses que nunca se pronunciaram sobre se queriam independentizar-se ou não, conforme o prometido pelos traidores-libertadores em Lisboa). E assim fizeram os donos do mundo, provocaram-nas à força das armas e à revelia das populações nos vários territórios portugueses, fornecendo aos mercenários em comissão de serviço, dinheiro a rodos e armas idem. O que restou das tão 'ansiadas independências' e que, como diz, horror dos horrores, na Guiné ainda permanece e que nas outras Províncias Ultramarinas perdurou durante décadas, foram guerras, desgraças, mortes, pobreza, doenças, miséria e o completo caos.
As pretensas 'agências de combate ao tráfico de drogas e armas', que produzem essas pseudo-denúncias com o maior descaro e a mando superior, significam apenas a ponta do iceberg de um complot mundial onde campeiam em paralelo cinismo, mentiras e hipocrisia em doses industriais, por detrás das quais permanecem alerta as organizações criminosas que fazem parte integrante do tal "mundo socialista" que por pura maldade, ganância e ódio aos portugueses europeus e portugueses africanos e à própria humanidade, não só provocaram cobardemente e à traição as 'independências' dos povos ultramarinos, como também o fizeram em todos os outros territórios africanos de origem diversa, transformando estes, até então em paz e na mais completa harmonia, em autênticos palcos de guerra, guerras artificiais mas com consequências trágicas e bem reais, onde se entrecruzaram/entrecruzam dor, tragédia e morte que o poder do MAL concebeu, concebe e dissemina pelo Globo como quem distribui alegremente serpentinas e papelinhos de Carnaval.

Depois dos mundialistas terem destruído inúmeros territórios africanos outrora prósperos e pacíficos, há, como sempre houve e haverá às suas ordens, as tais "agências" denunciadoras dos vários tráficos, espalhadas pelos cinco Continentes. Denúncias falsamente piedosas que revelam o verdadeiro inferno em que se transformaram as famigeradas 'independências', não só no Portugal ultramarino como na totalidade do Continente africano, onde prosperam em campo livre os tais tráficos da mais variada ordem que aquelas conlevam e por norma lhes sucedem, dos quais, eles, os diabólicos obreiros das independências levadas a cabo em seu exclusivo proveito, ficam a lucrar rios de dinheiro para todo o sempre através da exploração dos respectivos e riquíssimos solos e subsolos e em detrimento das infelizes populações deixadas na maior miséria quando não famintas e condenadas à morte por inanição.

Quanto aos infelizes sobreviventes dessas 'excelsas independências', aqueles que escaparam milagrosamente aos muitos milhares cobardemente assassinados..., pois que se lixem. O objectivo prioritário, aliás o único que interessa ao mundialismo, é que a (sua) obra do Diabo tenha sido concretizada. E de facto, para desgraça da humanidade, é o que tem vindo paulatinamente a acontecer desde sensìvelmente meados do século passado.

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Concordo totalmente.