24 abril 2013

Centro Nacional de Cultura e Biblioteca Nacional homenageiam Víctor Wladimiro


Uma enchente para ouvir a última entrevista concedida pelo meu pai à Antena 2, um friso de oradores de primeira plana tecendo considerações sobre a probidade de carácter, o conhecimento enciclopédico, o amor pelos livros, a paixão pela História e pela Literatura; em suma, uma justíssima homenagem ao homem, ao profissional das letras e ao professor que soube sempre viver em concordância com um amor indiscutível à liberdade e à independência.


Amigos e colegas, familiares, antigos alunos e admiradores prestaram-lhe ontem homenagem, em adesão numericamente expressiva, mas sobretudo em emotivo tributo de saudade que nos reconcilia com todas as adversidades, desenganos e dores da última fase de uma vida intensa de estudo, trabalho e dedicação à causa da cultura.


Na mesa, o Presidente do Centro Nacional de Cultura e Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme de Oliveira Martins, a Directora-Geral da Biblioteca Nacional, Inês Cordeiro, a Professora Doutora Annabela Rita, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, António Torrado e Luís Farinha Franco. 


1 comentário:

Pedro Almeida disse...

25 de Abril de 1974

Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora…
Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é o dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d’ignomínia…
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!

Joaquim Paço d'Arcos