30 março 2013

Os nossos irmãos da Malásia em luta pela sobrevivência



Já aqui temos, em diversas ocasiões, chamado a atenção para a urgência de se estabelecer sob a égide do Ministério dos Negócios Estrangeiros um grupo de trabalho permanente que garanta assistência aos bandéis de portugueses da Malásia, da Indonésia, da Birmânia e da Tailândia. Essas comunidades, mais que testemunhais, constituem um poderoso agente local de afirmação de Portugal.

Em Janeiro de 1641, quando a cidade de Malaca caiu nas mãos dos holandeses, os novos governantes só autorizaram a partida de um navio levando a bordo 250 dos mais eminentes moradores da cidade: reinóis, ricos mercadores, padres e monges, bem como alguns jovens locais. Para trás ficaram os pobres, os muito idosos, os mutilados, os doentes e as viúvas. Sede de bispado católico, conheceu a recém-ocupada Malaca dura repressão religiosa: duas igrejas e a catedral foram destruídas, assim como o colégio jesuíta e o mosteiro franciscano. As alfaias religiosas, as imagens sagradas e mobiliário que faziam o esplendor desses locais de culto, foram enviados para a Europa como parte do saque e foi anunciado aos sobreviventes que o culto católico não mais seria autorizado. Até 1710, ano em que Goa foi de novo autorizada enviar padres para assistir a comunidade católica da cidade, os portugueses malaqueses ofereceram sólida resistência cultural aos novos senhores. Reuniam-se fora de muros para aí realizarem as missas dominicais a céu aberto, organizaram irmandades secretas – a mais famosa das quais era a dos Irmãos de Igreja - e realizavam, por altura das mais importantes festividades do calendário católico, grandes procissões demonstrativas de força e unidade. Desde então, conhecendo holandeses, depois britânicos e até os brutais japoneses (1942-45) que ali cometeram massacres inenarráveis, os portugueses de Malaca têm sobrevivido. 
Sem o mais leve apoio de Lisboa, a sua luta parece condenada ao fracasso. Não há nas Necessidades alguém que possa avaliar a importância destes luso-descendentes? Não seria possível, com o apoio da Fundação Gulbenkian e outras instituições ( a Igreja Católica) começar hoje o que amanhã já poderá ser tarde?
E não nos venham falar de falta de verbas, pois bastaria que dois ou três funcionários públicos por lá estivessem em permanência - um professor de português, um animador cultural, um arquitecto - para parar o processo de erosão. Ainda há anos por Malaca esteve uma jovem professora de português. Os resultados excederam todas as expectativas. 

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