31 março 2013

Análise política cognitiva e subjugação aos afectos

A primeira coisa que uma mente racional e serena deve procurar é a de evitar as simplificações adolescentes que tratam de diabolizar ou angelizar os protagonistas políticos. No complexo mundo humano, as regras da lógica formal não funcionam de todo. A esfera política não deve ser entendida como mero reflexo de ideias, como também não pode ser reflexo da animalidade do homem, sabendo que este se distingue de todos os demais pelo pensamento e pela liberdade de escolha. A política envolve uma dimensão afectiva e psicológica, uma dimensão orgânica (biológica) e uma dimensão social. A redução do político ao afectivo, sem atender aos restantes parâmetros de análise tem sido, para nossa desgraça, o erro fatal que nos trouxe, em Portugal como no restante Ocidente, à absoluta decadência. Por julgarmos "boas pessoas" uns quantos fulanos e fulanas, por fazermos escolhas emocionais - tantas vezes condicionadas pela manipulação das máquinas fabricadoras de "boas pessoas" - permitimos que o interesse colectivo se submeta ao carácter mais ou menos agradável de lideranças. Isto aplica-se a todos. Santana Lopes é "boa pessoa", como "boa pessoa" é Guterres e António José Seguro faz todos os esforços para subir aos altares da simpatia. Passos, por seu turno, não é "boa pessoa" - isto é, não dá dinheiro - e possuiu a terrível característica de fazer o contrário daquilo que faz uma "boa pessoa" aos olhos dos entusiastas dos afectos.

1 comentário:

Conservador disse...

Enquanto a Sociedade Civil não se tornar madura, pensante ... nada feito! Escolhe-se governantes como quem escolhe gatos...