11 março 2013

A "filosofia" tem costas largas


Como género literário, interessa pouco. Em Portugal, desgarrado das grandes correntes do pensamento, a "filosofia" não passa de ensaio. É fácil, dispensa aparato investigativo, trabalho de sistematização, esforço teórico. Um indivíduo, quando não quer trabalhar - todo o trabalho académico exige 90% de suor - põe-se a "pensar" sobre tudo e sobre coisa alguma e o resultado é o "pensamento" à José Gil. Uma torrente de lugares-comuns, dourados por "cultura", "cidadania", "inquietação" e "indignação" e, pronto, cá temos "filosofia". Esprema-se a converseta, digna da Mexicana ou do Café Gelo e sai...nada.

8 comentários:

Luís Lavoura disse...

Hoje em dia já não se diz inquietação. Desde o filme de Manoel de Oliveira diz-se inquietude, que é mais fino.

Liceu Aristotélico disse...

Se me permites em liguagem espartana, ou em termos lacónicos, essa "filosofia" de que falas não existe. Presta-se somente a produzir equívocos com base em vigaristas e paneleirotes sem qualquer espécie de virtude.

A virtude, ou a "arete" dos gregos, derivava de Ares, o deus da guerra. O termo "arete" deu "virtus" no latim, para qualificar o varão.

A filosofia não é académica, meu caro. É mitológica e destinada ao homens de acção e pensamento varão.

Miguel Bruno Duarte

JJHN disse...

Publiquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/03/a-filosofia-tem-costas-largas.html

Jose Catarino disse...

Na moiuche.

António Bettencourt disse...

Acrescentemos à lista o Eduardo Lourenço e um outro Eduardo já defunto cujo o nome acabava em PC.

Maria disse...

Este senhor filósofo Gil é de uma, como dizer?, falta de capacidade de expressão, já não diria total mas com razoável ou mesmo o mínimo de clareza, que até faz impressão. E falta lexical, idem, aspas. Não passa das mesmas frases e expressões repetidas à exaustão em cada um e todos os discursos proferidos nos programas televisivos em que é convidado a filosofar.
E estou completamente d'acordo, tudo espremido - daquilo que este senhor debita em discurso oral - não se obtém nada de jeito. De qualquer pessoa com o mínimo de instrução e muito longe de ser considerado um filósofo, consegue extrair-se muito mais sumo discursivo do que da parte deste 'grande pensador'. E já agora aproveito para concordar com o comentador que me antecede, que qualifica o filósofo E. Lourenço do mesmo modo. Este é outro 'grande pensador' que primeiro que consiga produzir um pensamento escorreito tem que primeiro ir dar três voltas ao Rossio (parafraseando Amália) e mesmo assim nunca o consegue na totalidade.
Em poucas palavras, escutá-los torna-se um acto deprimente.
Maria

Isabel Metello disse...

Miguel, discordo plenamente- admiro muito as teorias acertadíssimas dos Professores José Gil e Eduardo Lourenço (só tenho pena que este último não veja ao seu lado um mais do que explícito case study, mas talvez a Emoção lhe tolde a Intuição- já me aconteceu tantas vezes!)quanto a uma análise distanciada da estrutura profunda da mentalidades dominante secular que sempre arruinou o país (os estrangeirados são sempre os melhores na análise das estruturas profundas, pois conhecem os códigos internos e desenvolvem o distanciamento narrativo que tem de ser Livre de estereótipos, simplificações narrativas, ódios de estimação, entre outros redutores de sentido...Claro que discordo em muito de certas outras opiniões dos mesmos, mas tal é natural, não é?! Cada qual com a sua capacidade crítica individual activa- por vezes, concorda, outras discorda, isto se não se orientar por cartilhas dogmáticas sectarizadas (aí já será o registo tipo CGTP ou marketing socretino e afins e desses quero distância (quanto maior melhor!)...

zazie disse...

O José Gil é uma fraude teórica.

O Lourenço nem é português. Inventaram-no.