13 fevereiro 2013

Temos oradores em S. Bento?


Sigo com frequência os debates parlamentares, não porque me mova qualquer interesse particular pela vida política e pelos temas debitados no antigo mosteiro, mas para comprovar a convicção, velha de décadas, que no chamado parlamento da república não estão os mais aptos, os mais bem preparados nem tão pouco os mais loquazes dos portugueses. As velhas batalhas parlamentares do século XIX, com os irmãos Passos à cabeça (mas também Vicente Ferrer Neto de Paiva, Garrett, Barjona de Freitas, Borges Carneiro e Mouzinho da Silveira) eram coisa digna de se ver. Aqueles oradores - ainda se pressente na leitura dessas peças o efeito que causavam - faziam trepar pelas paredes adversários, arrebatavam estrondosas ovações entre os colegas de bancada, geravam ondas de entusiasmo que extravasavam para as gazetas, para as tertúlias e para as conversas do Jardim Público e do Chiado. Os nossos Demóstenes oitocentistas deram lugar a homenzinhos e mulherzinhas repetindo lugares-comuns, gente que não domina a inteligência da língua, que lê papeis sem jamais levantar os olhos do linguado que trouxeram de casa. Que diferença, caramba, entre os nossos deputadozinhos e os gigantes de oratória que os precederam. Dir-me-ão que os tempos mudaram. Não, ofereço exemplo actual de uma intervenção no parlamento mexicano.

1 comentário:

Pedro Marcos disse...

A falta de qualidade da "oração" reflecte a falta de respeito do eleito pelo eleitorado. E está muito bem porque o eleitorado não merece outra coisa.
Nem saberia distiguir o bom do mau.
A democracia é mesmo isso.