18 fevereiro 2013

Silêncio de traição, silêncio de facciosismo


Seguro anda em correria pelo país, os comentadores e as "comentadeiras" não se cansam de rezar a verrina diária contra o governo, os Peppone arrastam-se em marchas, os grevistas fazem greves, S. Bento continua com as Grândolas Vilas Morenas e até a fragilíssima Catarina Martins do BE faz propostas para a saída da crise. O protestarismo de sempre, o reaccionarismo patego, a má-fé conjugados em propósitos golpistas; eis a nossa oposição. Entre os futebóis e a croniqueta das lamúrias, os senhores jornalistas minimizaram o facto mais importante da semana. Álvaro Santos Pereira meteu uma lança em África, conseguiu o acordo com os argelinos para a construção por empresas portuguesas de 75.000 (sim, setenta e cinco mil) casas, um bolo de 4 mil milhões de Euros (4.000.000.000) que vai aliviar a crise no sector da construção civil e garantir emprego por quatro anos a centos de técnicos portugueses. Ninguém diz nada. Não há um louvor, um gesto de simpatia. Este país está, decididamente, a afogar-se na patologia derrotista e só dá ouvidos aos profetas da desgraça, por acaso os profetas que nos trouxeram ao desastre.
Temos um grande ministro da Economia, como temos um excelente ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas isso não interessa aos abencerragens de sempre, aqueles que confundem economia com subsídios, mão estendida em concha, mendicância e chupismo dos Euro-fundos.

8 comentários:

jorge.oraetlabora disse...

Mas... temos um péssimo ministro das Finanças que está a destruir a classe média com medidas desajustadas e infelizes, v.g., o aumento escandaloso do IMI, perpetrado em gabinetes, sem curar de saber presencialmente do estado das casas para as avaliar de forma justa... !

Esta infeliz avaliação vai provocar o notório empobrecimento de quem possui algum património imobiliário, sobretudo quem o tem arrendado a inquilinos com mais de 65 anos, que pagaram décadas a fio, valores ridículos de 15, 20 ou, no máximo, 25 euros...

Para desgraça de todos e do País, esta nova lei das rendas nada resolve, só confunde...

Luís Lavoura disse...

jorge.oraetlabora

O aumento do IMI deu-se em 2003, pelas mãos de Teixeira dos Santos. Desde esse ano que todas as casas que transitassem de proprietário tinham que ser reavaliadas. Isso incluiu muitas casas arrendadas.
Quanto a estas, basta apresentar o contrato de arrendamento, a provar que elas pagam uma renda baixa, para se pagar um IMI mais reduzido. É claro que há muitos contratos de arrendamento feitos oralmente, mas isso é um erro dos proprietários pelo qual a administração não pode ser responsabilizada.
Como proprietário que recebeu casas por herança em 2006, e desde então pago o IMI atual, acho perfeitamente correto que todos os outros proprietários sejam sujeitos ao mesmo regime.

Isabel Metello disse...

Miguel, a mediocridade sempre detestará quem lhe espelha as menoridades- A Excelência, sempre associada à Simplicidade e Humildade (que não se conmfunde, jamais, com subserviência, muito pelo contrário!)! É algo intemporal, só merece um desprezo proporcional à maldade que dissemina, pela própria impotência e decadência!

Lionheart disse...

Meu caro, qualquer bom jornalista só tinha de fazer a seguinte pergunta ao Sr. Seguro:

"Imagine que os credores amanhã perdoavam a dívida externa a Portugal. Como é que mesmo assim Portugal financiava o Estado Social?"

Porque o problema é que não só não há quem nos empreste dinheiro para o Estado pagar ordenados e prestações sociais (poucas vezes se fala que os credores põem condições para emprestar dinheiro e condicionando a aplicação do mesmo), assim como a "Europa" recusa ser avalista de Portugal para esse fim. E agora? Corta ou não corta? É só conversa fiada.

jorge.oraetlabora disse...

Luís Lavoura,
a crítica que faço é à forma como as casas foram avaliadas - em gabinetes de arquitectos e engenheiros, à distância, ou seja, foram feitas "teleavaliações", se o neologismo for permitido...
Assim ocorrem sempre situações muito injustas, pois tudo se resume a um simples processamento matemático de dados, sem se procurar saber realmente o estado de conservação ou de deterioração das casas.
Era este esquema que os actuais governantes deveriam ter reformulado para evitar gritantes injustiças, que vão agravar ainda mais a débil situação económica de tantos senhorios espoliados ao longo de décadas por inquilinos a pagar rendas miseráveis, apoiados por leis iníquas...

Luís Lavoura disse...

jorge.oraetlabora
Sempre foi assim que as casas foram avaliadas.
Quando o meu pai morreu tive que entregar nas Finanças plantas das casas que dele herdei. (Nuns casos as plantas já existiam nas Câmaras Municipais, noutros tive que ser eu a mandar fazê-las, a minhas expensas.) Os técnicos avaliaram as plantas e, em função dos elementos delas, e do estado de conservação por mim declarado, avaliaram as casas. Em nenhum caso houve lugar a visita dos técnicos às casas.
Portanto, repito, nada disto é novo. Já desde 2003 se faz. Não percebo por que se acusa o atual ministro de coisas que já desde há muito se fazem.
Também eu sou (co-)proprietário de casas antigas arrendadas com contrato oral, pelas quais pago um IMI que me come quase todo o valor da renda. E não me queixo.

jorge.oraetlabora disse...

Luís Lavoura,
o facto de se fazer como diz (nem tudo), não invalida que se trate de uma situação tremendamente injusta.
Um governo que se preze, se quer ser respeitado pelos cidadãos, tem de pôr cobro a situações injustas (algumas, escandalosas!).

vazelios disse...

Excelente Post e a pergunta do Lionheart se fosse colocada numa entrevista ao Inseguro no meio do telejornal, era capaz de acabar com tanto populismo e demagogia.

Mas infelizmente sabemos que a imprensa não fará perguntas indiscretas. Fará só aos actuais governantes. Esses sim é que são para bater.

É incrivel como esta gente nos manda ao fundo.

Só tenho fé na renovação de gerações, pois os mais novos são mais instruidos historicamente e não se deixam (na sua maioria) levar por populismos e sabem bem o que aconteceu para chegarmos aqui