04 fevereiro 2013

Jeremíadas & lapidações

A tristíssima caixa de ressonância da incapacidade da sociedade portuguesa em discutir com racionalidade os problemas que a afectam, o Prós e Contras, apoderou-se da programação de domingo. Nada melhor que começar a semana com tempo de antena gratuito concedido pela emissora do Estado às oposições corporativas ao governo.
Discute-se a reforma do Estado. Para alguns, sobretudo para os instalados, o tema fixou-se nos 4 mil milhões e nos funcionários públicos. De lado, o conceito de Estado, a definição de "Estado Social" e, sobretudo - sacrossanta objectividade - uma discussão sobre os meios. Para as quadraturas sociológicas, o tema não se discute, pois a Constituição não o permite. O importante fixa-se nos 4 mil milhões que já não existem. Para manter a ilusão, novos empréstimos e mais, muitos mais funcionários públicos. O boníssimo Secretário de Estado Helder Rosalino bem tentou civilizar a discussão, mas Correia de Campos - que sofre os suplícios da crise em Bruxelas - e um tal Paulo Trigo qualquer-coisa - verrinoso, cheio de atrevimentos ordinarotes, fechado no seu mirrado mundo "académico" - não permitiram que aquilo ganhasse a mínima elevação. O "professor" Trigo até chegou a extremos de ameaçar o Secretário de Estado com a bomba de papel dos jornais. Um país a brincar ao sério, com gente absolutamente incapaz de se libertar de pequenos ódios e causas pessoais. Uma tristeza.


1 comentário:

esseantonio disse...

"Uma tristeza". Eu diria antes, uma vergonha...