14 fevereiro 2013

A questão das facturas


Como aqui não se sofre de partidarite, não se conhece o facciosismo e se cultiva a liberdade - e porque aqui se defendeu, sempre, mas sem seguidismo o governo - não podemos deixar de caracterizar a última medida decretada pelo ministério das finanças como uma puerilidade controleira que viola elementares princípios de defeso da intimidade dos cidadãos e é demonstrativa que se esgotou a ilusão que da ordenha fiscal se ultrapassará a crise em que mergulhámos por culpas acumuladas de 40 anos de regime. Terá chegado o momento para substituir a primazia das Finanças pela Economia e de fazer política na sua mais ampla envolvência. Se assim não acontecer, o governo - que tem sido de verdade, de rigor e de salvação nacional - perderá aquela legitimidade do bom-senso que o tem mantido.
A questão das facturas é de uma estupidez inaudita, de uma completa ausência de inteligência prática e de uma quase absurda tentação para criar inimigos onde estes não existem. O Primeiro Ministro terá de intervir e impedir que esta desastrada medida seja aplicada. Se o não fizer, confirmam-se as insinuações, jamais confirmadas, da sua incapacidade em domar o experimentalismo de um grupo de académicos de inquestionável mérito, mas que pouco ou nada conhece do país. Como dizia Armando de Castro - que não é propriamente um nome inspirador de simpatia ideológica - "quem só sabe de economia, nem de economia sabe".
O governo precisa de propaganda, de comunicação e de marketing. Não há no governo um só homem que se possa sentar em frente das câmaras e consiga explicar aos portugueses as decisões e orientações do governo?

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