13 fevereiro 2013

A minoria portuguesa na Birmânia


Está por mapear e estudar o que resta das lusotopias mestiças asiáticas. Não sabemos onde estão, quantos são, de que prestígio social gozam nas sociedades onde se integraram. A nosso ver, trata-se de uma falta tremenda, pois essas minorias poderiam servir de intermediários para a acção da nossa diplomacia, garantindo o favor das autoridades locais, patrocinando a elevação do nível das relações com os Estados do Sudeste-Asiático. Em finais dos anos noventa, o galardoado académico birmanês Thant Myint-U, que tive oportunidade de conhecer em Bangkok, percorreu o vale do Rio Mu, a nordeste de Mandalay e ali recolheu o seguinte testemunho:
“Falei com o professor da escola local e com uma freira há pouco regressada de Roma, ambos muito conscientes e orgulhosos da sua herança única. Disseram-me que na aldeia há muito que não se falava outra língua que o birmanês, para além de algum inglês básico, mas que no tempo ainda não distante dos seus avós, ainda havia alguns que conheciam um pouco de português. O professor disse que o seu bisavô havia servido no palácio do Rei Thibaw como militar do 50º Regimento Real e que outros antepassados haviam sido tradutores na Corte. Ali perto, uma multidão de crianças, muitas de cabelo castanho e olhos verdes, jogavam futebol”. Naturalmente, a referência ao futebol não é prova convincente, mas a memória da linhagem familiar, tão cara a todas as minorias étnicas, ali está, contada geração após geração como testemunho da diferença alicerçada pelo mito familiar. Os “portugueses” da Birmânia parece terem servido na última capital da Birmânia independente (Mandalay) com a mesma lealdade com que haviam servido sucessivos reis da última dinastia ao longo de mais de cem anos. 
Ninguém nas Necessidades percebe que é necessário fazer qualquer coisas - urgentemente - para manter esses fósseis vivos da multissecular presença do nome de Portugal no Oriente?


4 comentários:

Pedro Marcos disse...

O Miguel vive no passado. Julga que o estado é um Estado e que trabalha para a Nação Portuguesa. Não trabalha desde 1974. Trabalha paar interesses estrangeiros exclusivamente, dos quais obtem autorização para roubar em larga escala desde que cumpra com as ordens.
Deixe as Necessides, verdadeira necessidade. Verdadeiro embuste.
A guerra a travar é aqui e é alertando as pessoas e combatendo os governadores nomeados pelo "Império". Há é que lutar pela Restauração que o resto vem depois.

Combustões disse...

Pedro Marques
Deve ser um defeito de formação, pois sou servidor do Estado desde há 30 anos (no exército e, depois, num ministério) e não sei fazer outra coisa. Continuo a acreditar que os titulares são, por contaminação, defensores do interesse nacional.

Pedro Marcos disse...

Eu também julgava ser servidor do Estado para o qual formalmente trabalho há 15 anos. E passados 10 anos despertei para a realidade de estar a trabalhar para aparelhos partidários criminosos e traidores.
E de poucas pessoas estarem despertas para essa realidade.
O ESTADO não existe mais. A sua máquina foi tomada por partidos.
Essa sombra de estado é uma fraude. É uma máfia e não é de todo "a pessoa de bem" que a lei diz ser.
Se O Miguel acredita que os titulares são defensores do interesse nacional digo-lhe já que está muitíssimo bem enganado. Aliás. muito me surpreende com essa afirmação...

João José Horta Nobre disse...

Publiquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/02/a-minoria-portuguesa-na-birmania_20.html