19 fevereiro 2013

A matulagem da metadona


O ministro Relvas foi vaiado pela enésima vez, desta feita em Vila Nova de Gaia. Não se trata de campanha exclusiva contra Relvas, mas destinada a todos titulares ministeriais. O agit prop não se detém, até quando um qualquer membro do governo acorre a uma inauguração, quando anuncia medidas atenuadoras, quando comparece para a assinatura de um protocolo com empresários estrangeiros interessados em investir em Portugal. . Lá vem a Grândola, os democratíssimos punhos odiosos lembrando malfeitorias de outros tempos, a exigência da queda do governo e de novas eleições; como sabemos, tudo práticas correntes naquelas defuntas sociedades de antanho que foram o sol radioso - a aurora dourada, o sendeiro luminoso - que se afirmavam paraísos para trabalhadores, mas onde não havia nem pão, nem liberdade, e onde em cada esquina a igualdade era desmentida por um bufo, um polícia da secreta ou uma loja exclusiva para os apparatchik do partido. 
Esta matulagem não é, convém lembrar, o quarto estado, a fome estampada no rosto, os ventre-ao-sol minados pela tísica. Não, trata-se da tal "classe média" convocada por sms, arrebanhada pela sede local do partido, transportada e alimentada pela indústria do protesto para estas bravatas. Sintoma claro da metadona, do fim do Estado à Guterres (com Ferro Rodrigues e Milícias oferecendo o que não era nem deles nem nosso) e, sobretudo, a absoluta incapacidade para oferecer uma molécula alternativa ao descalabro de décadas. Lá está o velhote de fato e colete (há sempre um profiteur de jeunes) nostálgico de um tempo [que felizmente não voltará] em que tudo o que se lhes opusesse era liminarmente apodado de "fascista". A metadona provoca caibras, vómitos, suores frios, tonturas e sonolência alternando com exaltações. Provoca, também, alterações gástricas e, até, coprolalia, incapacidade para suster torrentes de palavrões. Em Gaia, a metadona teve os seus cinco minutos de triunfo.
Seguro que se segure, pois amanhã, se for ministro, lá terá as esperas da matulagem da metadona pedindo-lhe o pão e o circo que não poderá dar. Se não tem estômago para estas fevereiradas, que fique no sólio oposicionista educado.

4 comentários:

Pedro Almeida disse...

Caro Dr. Miguel Castelo Branco,

Parabéns pelo seu blogue e pela sua coragem! Eu já havia deixado aqui um comentário, mas não obtive resposta sua. Lembra-se de quando, por vezes, nos encontrávamos na Biblioteca Nacional?

Pedro.

Maria disse...

Brilhante. Parabéns.
Maria

joao jose rodrigues almeida disse...

Em primeiro lugar os meus parabéns pelo seu blog.
Perfeito retrato da voz carcomida da esquerda ululante que pensa que ainda vive na primeira metade do século passado.
Concorde-se ou não com a postura de Miguel Relvas,tenho que reconhecer que coragem e frieza não lhe faltaram.
Um abraço.
João R.Almeida

Maurier disse...

Muito Bom!
Análise sábia e sensata.
Parabéns pelo seu Blogue e por este artigo em particular.

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