26 fevereiro 2013

10 anos sobre o princípio do fim do mundo que conhecíamos


Um milhão de mortos iraquianos e a destruição de um país, a  consequente emergência do poder iraniano, o fim do sonho da détente com a China e a Rússia, o anúncio da crise financeira global, o endividamento incontrolável dos estados ocidentais, a desagregação dos regimes de ordem no Médio Oriente e a instalação do caos. Tudo foi decidido, pelo que hoje se sabe, por um pequeno grupo de decisores semi-letrados fascinados pela leitura de dois autores menores (Huntington e Fukuyama), que mentiram, fabricaram ou empolaram um inimigo que não existia (Saddam) para, logo depois, se aliarem ao incontrolável poder dos loucos de Deus do sunismo radical. A crise que hoje vivemos perfaz dez anos. Longe de estar resolvida, a crise invadiu a Europa, destruiu a Grécia e está na iminência de lançar a Itália no caos que antecipa o fim  da democracia. Dez anos passaram sobre a fatídica iniciativa que vai comendo, imparável, os fundamentos na nossa ordem política e económica.

1 comentário:

João José Horta Nobre disse...

"A crise que hoje vivemos perfaz dez anos. Longe de estar resolvida, a crise invadiu a Europa, destruiu a Grécia e está na iminência de lançar a Itália no caos que antecipa o fim da democracia."

Caro Miguel, apenas alguém muito ingénuo e inocente poderia acreditar que de facto a democracia iria durar para sempre...

A Europa tem milhares de anos de história, em milhares de anos, apenas o úlitmo meio-século é que foi pautado pela democracia de uma forma mais generalizada. Julgar que apenas meio-século de democracia iri inverter para todo o sempre milhares de anos de história marcados pelo despotismo absolutista, câmaras de tortura e outras crueldades inimagináveis, é ser-se muito, muito ingénuo.