26 janeiro 2013

O pior que poderia acontecer à Birmânia


O interesse pelas grandes causas esconde, amiúde, outros móbiles. Ontem, trocando impressões com um académico francês que conhece a Birmânia como poucos, dele recebi uma verdadeira lição, confirmando muitas suspeitas sobre as verdadeiras razões do recente degelo nas relações entre o governo da junta militar e os EUA. Disse-me, sem pestanejar, que é tudo uma questão de petróleo, gás natural, madeiras exóticas, potencialidades turísticas, mão-de-obra baratíssima, ausência de leis laborais e, até, campo fertilíssimo para as investidas das seitas evangélicas num país onde os cristãos são em grande número e estariam prontos para receber os pregoeiros das boas-novas. Oscracizada, a Birmânia transformou-se recentemente na Meca dos homens de negócios em busca de "novas oportunidades" de investimento e lucros fabulosos. A Tailândia, já demasiado rica e cumpridora das cartas internacionais, parece já não interessar aos caixeiros-viajantes da plutocracia.

1 comentário:

eligmu disse...

O Myanmar está a aproximar-se dos EUA para fugir à China, obviamente. Cada gigante no seu lado mantém o outro na ordem.