30 janeiro 2013

O erro dos regicidas


Ao contrário dos presidentes, os reis não morrem. Dir-se-ia que o Rei é um só, com cambiantes de carácter  e do tempo que cada episódio da monarquia vai oferecendo. Enganavam-se os republicanos quando afirmavam que a ideia monárquica desapareceria com a partida de D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe. Enganaram-se uma vez mais quando, sem descendência, morreu D. Manuel II. Mas a ideia ficou, o sentimento de simpatia familiar do povo permaneceu inquebrantável, não obstante os poderosos tudo terem feito para que ao longo de décadas a nossa família real fosse exilada, censurada, minimizada e, até, ridicularizada. Mais de um século após a infame matança, eis que o Chefe da nossa Casa Real é um dos mais respeitados homens do país, de decência, patriotismo e desinteresse pessoal absolutamente inquestionáveis. O mistério da monarquia não tem mistério porque, afinal, o Rei também somos nós, portugueses aspirando à libertação, à partilha de tudo quanto dos une, ao bem que desejamos para esta terra. O Rei é todos num homem. Por isso não tem agenda, não tem partido, não negocia, não trai, não promete, não vive do contingente, não tem amigos na acepção comercial de um interesse. 

A evocação do regicídio deveria ser, afinal, a prova da imortalidade do sentimento monárquico. Há semanas, falando com SAR o Príncipe da Beira, jovem de 17 anos, pressenti o peso dessa responsabilidade que se herda e não se discute, o peso e a responsabilidade de vir a ser um dia aquilo que o Senhor Dom Duarte tem sido ao longo destas décadas de chumbo; aquilo que foi, desde 1143, a função dos nossos reis. A família real une e é respeitada porque é um símbolo nacional e porque lembra aos portugueses que há coisas que estão para além do nosso tempo. Os regicídios acontecem na proporção do ódio ou da estupidez daqueles que desconhecem o intrínseco carácter democrático e libertador da monarquia. 
Felizmente, vai-se dissipando lentamente a teia de mentiras, de preconceitos e ignorância fabricada pelos inimigos da ideia monárquica. Um dia, quando tomarem consciência do mal que fizeram a Portugal e se biografar a passagem  de Dom Duarte pelo nosso tempo, os mais honestos lamentarão o que perdemos todos por não se ter sabido aproveitar a dedicação de um homem que tem sido, em todas as causas que abraça, o que de melhor tem Portugal.

6 comentários:

Paul disse...

Un texte en accord parfait avec les sentiments profonds de François Sentein, malheureusement trop méconnu…

La monarchie convainc François Sentein non par sa supposée perfection, mais par la place qu’elle laisse au hasard et au péché originel

(« Le péché originel pour tous, voilà mon égalité, voilà ma démocratie »),

qui fait d’elle une sorte d’« anarchie cohérente » qui, n’étant pas fondée sur la raison ni sur un principe abstrait, est le régime qui demande le moins d’adhésion à l’individu, et donc le laisse dans la plus grande liberté possible.

Liberté qui est aussi celle du souverain, au rebours de l’élu ligoté par ses intérêts :

« Qu’est-ce qu’un fils de roi, sinon quelqu’un qui n’a rien fait pour être roi ? Le seul en qui puissent être couronnées un jour, par hasard et par bonheur, des qualités d’intelligence, d’imagination, de sensibilité, de noblesse, de désinvolture, qui lui ôteraient, autrement, l’envie et lui interdiraient l’espoir de la moindre carrière électorale, du moindre sous-secrétariat d’État… Et nous nous prosternons devant ce miracle. Notre pensée politique monarchiste, c’est l’intrusion de la grâce dans la société, qui est le domaine des droits, c’est-à-dire, en définitive, du droit du plus fort. »

Daniel Azevedo disse...

Estava a ler esta sua panegírica misturada com furor zelota, e dei por mim a pensar no número de cartas que, alegadamente, Estaline recebia de russos comuns. Parece que se elevava a algumas centenas por dia no tempo das purgas.
"Se ao menos o grande lider soubesse do nosso sofrimento... Ele sim, é o que verdadeiramente se preocupa com o povo." Ele que anotava o canto das listas de execuções com :"número insuficiente".

Se "povo" português quer tanto ter um Rei como o senhor afirma, pode explicar-me porque é que o partido monarquico nem representação parlamentar tem?
O "povo" é estupido e vota no quadrado errado?

O senhor engenheiro Bragança está sempre a alegar que a républica nunca foi referendada: verdade!
Mas a monarquia é referendada (através do partido que pretende a sua instauração)e tem tantos votos como o MRPP.
Em que é que ficamos?

Cumprimentos
DAzevedo

Combustões disse...

Daniel Azevedo
Obrigado pelo seu texto, eloquente para compreender que o falso republicanismo português se radica, tão só, num conjunto de problemas da esfera psicológica. Tudo se resolverá com esclarecimento. Se o Daniel for um homem bem formado - acredito que o seja - aceitará a fórmula monárquica, a única que garante a mudança sem ditadura e a permanência sem conservantismo.

Duarte Meira disse...

Caro Miguel Castelo Branco:

Permita-me repita com todo o gosto o que não precisa ser comentado:

« O mistério da monarquia não tem mistério porque, afinal, o Rei também somos nós, portugueses aspirando à libertação, à partilha de tudo quanto dos une, ao bem que desejamos para esta terra. O Rei é todos num homem. »

Agora:

» ... aquilo que o Senhor Dom Duarte tem sido ao longo destas décadas de chumbo. »

O que el-rei tem sido nestas décadas de funerário chumbo é, antes do mais, um exemplar cristão que tem sabido carregar a cruz daquele Rei que foi todos num Homem. Talvez por isso foi abençoado com a graça de não ter de suportar de dentro ainda mais o fardo da Desordem política. Tem estado assim, como simples cidadão e patriota, mais próximo da triste sorte dos comuns portugueses, que temos de beber o cálice da desdita até ao fundo.

Depois de esgotado, esperamos um dia vir a beber vinho novo em cálice novo.

À nossa saúde e à saúde do Príncipe Afonso de Santa Maria, que esperamos!

João Mattos e Silva disse...

Permita-me Miguel que explique ao Sr. Daniel Azevedo, aquilo que ele devria saber: os monárquicos que estão no Partido Popular Monárquico, são apenas os que a ele aderiram. A maioria está nos restantes partidos da república, PS incluido, e todos os que não estão em nenhum partido. Fazer afirmações sobre o peso dos monárquicos com base nos resultados do PPM é, ou ignorância ou má fé.

Daniel Azevedo disse...

"Fazer afirmações sobre o peso dos monárquicos com base nos resultados do PPM é, ou ignorância ou má fé."

Devo então basear-me em quê? No forum da TSF?

Os senhores são os que falam em referendar a républica. Seja!

Eu digo que a vossa força politica é inferior à do MRPP.
O meu amigo refuta esta afirmação? Baseado em quê, já agora?

Eu venho da banda das ciências exactas e gosto de afirmações que se podem provar!

Temos um partido politico - no nosso sistema é a única forma de entrar na assembleia - o PPM que deseja a implantação de um sistema monarquico em Portugal. ERGO: os que se dizem monarquicos não deveriam votar nesse partido?

Cumprimentos