22 janeiro 2013

Censura


O expresso publicará ao longo de três edições um dossier sobre a acção da censura sobre o semanário fundado por Pinto Balsemão nos derradeiros meses da governação de Marcello Caetano e da vigência do Estado Social (1968-74).
A censura é feia e beneficia sempre quem é silenciado, criando apetite pelo fruto proibido e encarecendo o mérito de quem dela é vítima. Politicamente, a censura é um prémio dado de bandeja pelo poder amedrontado aos seus opositores. Porém, julgo que há formas de censura - tão nocivas como a censura oficial - que se praticam ao desbarato, sem quem os useiros campeões da liberdade se indignem. Infelizmente, depois do index prohibitorum, da Mesa Censória, da censura oficial (instituída pela 1ª República) e da Comissão da Censura (1926), continua em Portugal a praticar-se a censura que não dá pelo nome; logo, cobarde, discricionária, sem regras, impune, ao alvedrio de quem põe e dispõe. Não fosse a blogosfera e metade do que acontece no país não existiria, positivamente, para gáudio dos senhores todo-poderosos que se habituaram a mandar nesta terra como quem manda numa herdade. Eu já nem leio jornais, mal ouço os noticiários e presto atenção às encomendas, aos recados, à promoção de causas, cadinhos de ódio e preconceito que a nossa "opinião que se publica" verte sobre um "país" de aquário que não passa de papel escrito nas redacções dos jornais. A tentação que os senhores jornalista têm para servir o poder - outrora eram homens de leitura e escreviam bem - e a inclinação para o espalhafato, para superficialidade e para a excitação das emoções, eis o que é o "jornalismo profissional".

1 comentário:

Isabel Metello disse...

Miguel, denunciar a censura no Pretérito Perfeito é tão fácil e até autosacralizante, não é?! Agora no Presente do indicativo ou mesmo no Gerúndio é que são elas, nomeadamente o mercado paralelo de censura de senso comum a que se refere! Tem toda a razão: como é que é o slogan? "Expresso, há 40 anos a fazer opinião"! Não aprecio "produtos culturais" uníssonos, não sei porquê...! Pois, infelizmente, é essa a designação de imprensa de referência para tantos! Pois, quem detém (esta é para o maschambeiro- não, não me esqueci dessa persona, nunca me esquecerei, by the way (engraçado, defendi, na altura, o co-autor do blog do qual esse "senhor" baniu por motivos peculiares para quem se diz "livre"!...E mais: nunca esquecerei um determinado poste da mesma fonte, jamais em tempo algum!...) capacidade crítica activa não deixa que alguém lhe faça a opinião, pois reconhece os enunciadores por detrás dos locutores e é emancipado, pelos critérios de Kant (a propósito, como é engraçado que muitos que defendem a Liberdade no Pretérito Perfeito a detestam no Presente do Indicativo- prova de que a síntese virou tese...