24 janeiro 2013

A "legitimidade perdida"


Insistem os adeptos do golpismo e os exegetas dessa coisa mal escrita feita em espírito de RGA por miudoscos nos idos de 75 e 76 - ou seja, a Constituição - que o governo extravasou os limites do seu mandato e perdeu legitimidade. Eu inverteria os termos. Não terá sido, afinal, a Constituição - responsável directa pelo atraso, pela imobilidade e pela desgraça que se abateu sobre o país - que terá perdido legitimidade e requer, senão um novo texto, uma enorme barrela ?
As constituições são datadas e têm um tempo de vida. A constituição de Miranda, Canotilho e Vital é um monstro cego e possessivo, antiqualha contemporânea das calças boca-de-sino, dos autocarros de dois andares da Carris, dos Mini-Minor, da Associação de Amizade Portugal-Kampuchea Democrático, dos SUV, dos programas do Pitacas Antunes e da candidatura de Arlete Vieira da Silva. Esse mundo acabou há trinta e tal anos, mas o livrinho vermelho da Constituição continua a negar o nascer do sol, a passagem do calendário, a sucessão das estações. 

2 comentários:

FB disse...

O insuspeito Prof. Paulo Rangel, que por acaso é constitucionalista, disse há dias num programa de televisão que, em grande partedos casos, o que se discute quando se fala dos "bloqueios" da Constituição é o princípio da Igualdade. Parece-me que esse princípio está presente (de forma mais ou menos objectiva) em todas as constituições dos países democráticos. O que fazer então?

Zé dOlhão disse...

o pitacas antunes tás velhinho

andava há uns anos a dar formação no IEFP