09 novembro 2012

Sabotagem e traição


Os dados acabados de sair são eloquentes, pelo que nem merecem comentários. No último trimestre, as exportações portuguesas caíram 6,5% devido à greve dos estivadores portuários. Isto tem um nome? Tem. Sabotagem, traição.

Os "ótarcas"


As ditas "autarquias locais" - redundância que diz tudo sobre os atropelos semânticos e conceptuais da tal Constituição feita sobre o joelho por duas centenas de homens e mulheres que não conheciam Portugal - estão em polvorosa e ameaçam com mobilizações e marchas sobre a capital. Durante anos, à medida que se iam manifestando os sintomas do carácter intrinsecamente deletério do regime, insistiu-se na aclamação do "poder autárquico", gabando-lhe as conquistas e proezas. Subitamente, há cerca de dez anos, descobriu-se que o regime começara precisamente a apodrecer a níveis pouco menores que a infâmia nesses pequenos mundos, amiúde dominados por gente predatória, criminosamente irresponsável, corruptora e corruptível. Valentim Loureiro, Avelino Ferreira Torres, Abílio Curto, Mesquita Machado, João Rocha, Luís Monterroso, Paulo Caldas, a inefável Felgueiras, Isaltino Morais, Luís Vilar, António Lobo, Júlio Santos, Judas e Irene Barata cobriram parangonas e esgotaram o reportório dos códigos em crimes, infracções, faltas e abusos que, de tão abracadabrantes, uns fazem sorrir, outros provocam iras. 

O "poder autárquico" não existe. Mal fizeram o boníssimo Mouzinho da Silveira e seus descendentes ao meter os dedos teóricos em construções humanas e orgânicas, substituindo-as por entidades administrativas sem gabarito e autenticidade territorial, social e económica. Antes, os Concelhos nutriam-se de foros, direitos e privilégios conquistados; eram complexíssimas entidades surgidas e crescidas do empirismo histórico. Nunca será demais reler Damião Peres, Gama Barros e Costa Lobo para tentar compreender o carácter genuinamente democrático desses antigos Concelhos. Depois, veio o administrativismo e, recentemente o pequeno banditismo. Onde antes havia uma elite local, hoje há o pato bravo, o chefe dos bombeiros, o madeireiro, o dono da loja de electrodomésticos, o presidente do futebol local ou o advogado que conhece todos os alçapões. Os munícipes regalaram-se com tanto pavilhão polivalente, tanto auditório, tanta puxada eléctrica, tanta estrada e tanto loteamento, esquecendo-se que tudo isso fazia a riqueza das potestades e das negociatas. Hoje, tanto Concelhos como juntas, estão falidas. Deram emprego a todos, pediram empréstimos, viram multiplicados por cinco e seis os orçamentos vindos dos cofres do Estado. A miragem autárquica transformou-se nisto, em pesadelo cansado e em oligarquia sem mérito. Que falta faz um quadro administrativo dirigente e profissionalizado, preparado, honesto, responsável, sujeito a avaliação, submetido a auditorias e inspecções. 

07 novembro 2012

Es steht ein kleines Häuselein, Auf der Alm, Ringt um mein blondes Schätzelein, Auf der Alm, Ein Mädel mit vergnügtem Sinn, Ralalalala ralalalala, Im Küssen eine Meisterin, Ralalalala lala



Dom Manuel II na Biblioteca Nacional


No âmbito das iniciativas que a Real Associação de Lisboa vem promovendo por ocasião do 80º aniversário da morte de S.M. El-Rei Dom Manuel II, terá lugar no próximo dia 13 de Novembro, pelas 17h30, no Auditório da Biblioteca Nacional, uma evocação de D. Manuel II como homem de cultura, laborioso investigador e respeitado bibliógrafo, que contará com uma comunicação do Professor Doutor Artur Anselmo.A entrada é livre.

As duas américas em rija batalha ou as guerras nunca terminam

06 novembro 2012

A fronda oligárquica


Aliado do Bloco, do PC e dos já amesendados, ex-líder falhado do CDS, ex-candidato falhado ao sólio de Belém, defensor da Constituição que não quis votar em 76, Amaral é um morto vivo. Do além-túmulo, surge de rompante para exigir a demissão do governo. Esta gente da intriga e da guerrilha ainda não se deu conta que o seu tempo passou, mas teimam em não deixar o palco. Dir-se-ia que ainda não se sentem confortáveis nas suas dachas e querem mais. Já bastava um Soares-macro; agora Freitas, mais Mota Amaral, mais tudo o que foi - por décadas - a raiz de um regime que nos trouxe à fome. Chega.

O urso gordo de caracóis.

05 novembro 2012

Da Síria e de Romney

Da mesma forma que a queda de Assad na Síria eram favas contadas para os entusiastas das revoluções vindas de fora - na Síria, disse-o desde o primeiro instante, a guerra não era entre Assad e a democracia, mas entre um Estado de plena tolerância religiosa e o fanatismo homicida dos salafistas - , no que respeita às eleições nos EUA, tenho o vago pressentimento que Obama (uma espécie de Gorbachov americano, muito popular no exterior, quase detestado no seu país) só escapará à derrota por uma unha negra.
As pessoas têm de se habituar a separar as suas fantasias da análise distante, crítica e imparcial dos factos e dos acontecimentos. Infelizmente, a maioria age impelida pelos sentimentos ou, pior, deixa-se condicionar e contaminar pela propaganda. Na análise política, não interessa se gostamos ou não gostamos daquilo que nos é dado ver. Há, desconhecido da maioria das pessoas, um "metatexto" acima dos acontecimentos e seus figurantes. Na Síria, saltava à vista que uma sociedade secularizada, culta e habituada a viver a multiconfessionalidade, não aceitaria a destruição de um exemplar património de paz social. No que respeita aos EUA, Obama não fez a esperada revolução pacífica que prometera, mas provocou a polarização do país em dois campos irreconciliáveis. A ver vamos se temos ou não razão neste vaticínio.

04 novembro 2012

Em tempo de trevas, a luz



Foi inaugurada ontem em Barcelos uma estátua evocativa de S. Nuno de Santa Maria em acto que contou com a presença de SS.AA.RR. Os Duques de Bragança (32º condes de Barcelos), o Arcebispo Primaz de Braga, deputados eleitos pelo círculo de Braga e representantes da Câmara Municipal de Barcelos, entre muitos populares, prestaram homenagem merecida a um distinto barcelense e um dos maiores vultos da nossa história.