06 outubro 2012

António José Seguro chega à Nova Monarquia...28 anos depois

O Secretário-Geral do PS, António José Seguro, anunciou ontem que o seu partido vai defender um novo sistema de representação mista estribado em círculos uninominais, candidaturas autónomas e respeito pela proporcionalidade demográfica das regiões. O líder socialista não recebeu a revelação numa qualquer noite de San Casciano; fez mão-baixa do programa da Nova Monarquia, redigido e apresentado ao país em Outubro de 1983, mas então logo rotulado de "extremista" pela partidocracia. Não me incomoda a subtração dos direitos autorais; incomoda-me tão só o notável atraso com que a oligarquia adere à ideia, adesão postiça, oportunista e ditada mais pelo instinto de sobrevivência que pela aceitação das premissas do manifesto da Nova Monarquia.
Para o comprovar, a demonstração documental que oferece à Nova Monarquia a paternidade das propostas socialistas. A NM esteve, neste e noutras soluções, na vanguarda. Cometemos, então, o terrível crime de pensar 30 anos antes aquilo que hoje todos subscrevem. Infelizmente, alguns dos mais furiosos inimigos da Nova Monarquia eram monárquicos. O movimento monárquico perdeu, com a destruição da NM, 30 anos de autoridade. Nunca é tarde para recuperar o tempo perdido.

 In: O Globo, 6 de Março de 1984


In: O Correio da Manhã, 13 de Março de 1985


In: O Correio da Manhã, 24 de Julho de 1987


Entrevista de Miguel Castelo-Branco a O Diabo, Janeiro de 1988

A Santa Censura que teima em funcionar


O dia foi rico em pantomimas: a bandeira de pernas para o ar na blindada cerimónia para os apparatchik, o discurso de Costa fazendo de Secretário-Geral do PS e do Presidente fazendo de Sumo Sacerdote, planando sobre píncaros obscuros; a gritante de serviço, rábula obrigatória para qualquer cerimónia que meta hierarcas do regime, mais a canora protestante cobrindo de ridículo, medo e consternação os senhores do aquário em que se foi transformando o regime, caquético de 38 anos. O 5 de Outubro foi, sempre, uma não-cerimónia, mas este ano a dita república terá perdido, caídos no tropel da fuga para os carros blindados, os anéis e as gargantilhas, temendo que um mais ousado lhe cortasse os seios.

                 Os últimos dias do regime

Pela tarde, minuto sim, minuto não, a baterias da manipulação das tv's - as tais que badalam os sinos freneticamente para chamar o povo das indignações e das manifestações "ladrões-vão-trabalhar-gatunos" - para dar corpo a uma indignação compostinha. Dois mil burgueses ataviados das gangas da praxe metidos na Aula Magna, dois mil que lá estão desde sempre, o sorrisinho bem-aventurado, o destrambelhado discurso arqueológico que fez a fortuna dos PC's de outrora, os abaixo-assinados sobrepondo-se à legitimidade do voto, a alacridade da ideologia salva-mundos. Os dois mil - que só multiplicados por dez dariam um deputado - falaram em nome do povo, pediram a cabeça do Primeiro-Ministro e quase que deixaram confessar o propósito do ajuntamento, ou seja, catapultar Carvalho da Silva para a presidência.

Da digníssima sessão patriótica que teve lugar no Palácio da Independência, nada. A Mesa Censória continua como dantes, cortando, silenciando, torcendo, escolhendo aqueles que existem e impedindo de falar aqueles que detêm, talvez, a chave para a salvação da liberdade deste país que se vai despenhando lentamente pelos caminhos do caos e da anarquia. O Senhor Dom Duarte, de mãos limpas - os monárquicos não roubaram, não traíram, não engaram - preferiu uma comunicação que devia ter sido ouvida, lida e reflectida por todos os portugueses. Falou de pátria, de salvação colectiva, de amor e cooperação entre todos os portugueses, lembrou que estamos todos juntos e que a salvação reside na unidade. Para os lápis vermelhos do garrote da censura que não reconhece o nome, a única sessão do dia que convidava à elevação não aconteceu. Este país é, manifestamente, merecedor das maiores reservas. Recusa a mão que lhe estende a paz, a dignidade e a restauração.

Temo que nos próximos dias algo de terrífico aconteça. Estamos, caros leitores, na iminência de um magnicídio. Vai acontecer. Há no ar pólvora e ódio prestes ao deflagrar de um espectáculo que nos deixará atónitos pela imprevisibilidade brutal. O regime e os censores não querem ver. Espero não ter razão e que a minha intuição me engane.

05 outubro 2012

Que voltem as bandeiras da união



Anestesiados e vítimas de sucessivas campanhas que anularam a faculdade crítica, obrigados a aceitarem como natural o estado de coisas presente, degradados a extremos na deseducação do brio, do orgulho e amor-próprio, caídos no descalabro do protectorado após décadas em que os centros de decisão foram um a um transferidos ou desvitalizados, usados, enganados e privados de voz, os portugueses chegam a este 5 de Outubro de 2012 brutalmente despertos e com a clara percepção da extensão do desastre em que o regime os precipitou. 
Os portugueses têm que escolher entre a liberdade e a servidão, o recobro ou o empobrecimento, a abertura de um novo ciclo histórico ou o colapso. Terão de o fazer agora, sem messianismos e sem a tentação das fórmulas enganadoras que sempre trazem as tiranias - que advogam a paz a todo o custo, até  caucionando o extermínio da liberdade - e recuperarem, reaprendendo-o, o sentido da nossa presença no mundo. 
No fundo, tudo é simples. Temos uma língua, uma cultura e uma história que nos distinguem como comunidade de destino, conhecemos os objectivos permanentes do Estado português, conhecemos as debilidades tão bem como os argumentos e falácias daqueles que, dentro e fora, concorrem para a nossa perdição. Este foi o último 5 de Outubro, disso não tenho quaisquer dúvidas. Exige-se que entre o caos e a restauração de Portugal, saibamos a partir de hoje reinvindicar o único caminho para o recobro em liberdade, autodeterminação colectiva que requer - com a máxima urgência - a Restauração da monarquia.

04 outubro 2012

Todos ao palácio da Independência


Amanhã, 5 de Outubro,  pelas 15 horas, S.A.R., o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança irá dirigir aos Portugueses uma Mensagem, no Palácio da Independência (ao Rossio).
No momento decisivo por que passamos, a autoridade moral que assiste ao Chefe da Casa Real sobrepõe-se  a todas as facções, partidos e interesses, convidando a oportuna reflexão sobre a necessidade vital de Portugal se consagrar a um objectivo colectivo e patriótico que salve o país e reabra a esperança.


02 outubro 2012

Após sucessivos ataques de nervos


A vaga de gritos, insultos, esperas, ameaças, convocatórias pelas "redes sociais" e indignações comicieiras acabou como começara, num ápice, mostrando que, afinal, no sabat haveria generosa distribuição de lugares entre alucinados e bruxas. O crescendo, atiçado pelas televisões, ofereceu por dias o terrífico quadro que tudo justificava, até um golpe de Estado em pleno Conselho de estado, com defenestração de Passos Coelho e esquartejamento pela burguesia que ali se foi postar para fazer o quadro da "revolta popular". Senti o medo, um medo vergonhoso, nos homens de setenta e oitenta anos que vivem disto há quarenta. Generais com medo, ex-presidentes com medo, conselheiros de Estado aterrados, ministros de governos passados reunindo patéticos argumentos para apiedarem os carrefours da morte no dia em que explodisse a jacquerie.
Afinal, depois de tanto arrancar de cabelos e tanto tonto útil "liberal" e "conservador" fazendo o jeito aos novos 25's de Abril, tudo terminou com o não de Seguro - que se revela, afinal, um homem - e com o montículo da monção de censura que pariu um Louçã.
Sim, os indignados - quem não anda indignado com tudo isto? - perceberam finalmente que estavam a engrossar o estafado milenarismo dos estalinistas-trotsquistas do Bloco e a participar nessas missas negras que o PêCê canta desde 74. Afinal, o governo fica até 2015.
Os nossos estudiosos de ciência política têm, decididamente, muito que compreender. Eu já não me engano. Os galões da distância e o desapego de todas pequenas e grandes tentações do entrismo na política permitiram-me conhecer os mais discretos interstícios da alma portuguesa; afinal tão fácil e tão previsível na mascarada de sebastianismo e judaísmo que a adornam.
Queriam uma revolução ? Quem a iria pagar? A Troika?
O país só precisa de duas ou três coisas muito simples: trabalhar, aguentar e não frequentar sabats.

30 setembro 2012

Seguro e Borges ou o crepúsculo dos conselheiros


Seguro esteve em Bruxelas para participar num desses encontros das internacionais que se substituíram aos partidos políticos nacionais. Alguém o terá aconselhado a fazer uso do castelhano em debate ali travado sobre a crise das dívidas soberanas. Creio que Seguro não teve tempo para, em 50 anos aprender o inglês, o francês ou o alemão básicos, línguas sem as quais se torna difícil tratar dos assuntos do nosso país junto dos protectores. Recorreu a um castelhano gorduroso que tomei inicialmente por mirandês, mas que de tão mau, tão forçado e provinciano, acabou por se transformar em divertidíssimo instantâneo do atrevimento da nossa elite indígena, tão falha de educação como de conselheiros.

António Borges, esse, conselheiríssimo, foi ao Algarve estragar em 5 segundos os primeiros raios de sol após três semanas de tempestade. Aquilo não é um conselheiro; aquilo é um incendiário. A imprensa está atenta ao mais leve desvio. Os senhores jornalistas, quase todos semi-analfabetos, não acodem para informar, mas para desinformar. Borges não disse aquilo que todos ouvimos, mas ficou o que disse, pois que esta gente não anda em busca da correcção do discurso, mas do detalhe escandaloso, usado sem pudor e respeito. As tv's passaram, decididamente, a exercer um poder quase terrorista e o governo deve cuidar dessa trágica mutação.
O grande problema do governo é o da absoluta falta de bons escribas que produzam o discurso da confiança, da partilha e da segurança. Os tecnocratas desprezam as subtilezas, a inteligência e os poderosos recursos da língua. É altura de Passos Coelho se rodear de gente que saiba ler.