18 agosto 2012

"Snack bar" "Snack bar"

Um soldado sírio contava hoje em frente das câmaras da tv russa a última piada que percorre as fileiras do exército. Dizia, entre as gargalhadas dos seus camaradas, que não compreendia o motivo pelo qual os mercenários terroristas islamistas gritam permanentemente "snack bar, snack bar" (Allahu Akbar Allahu Akbar). Concluia que, não sendo os terroristas habitantes de Aleppo, procuravam desesperadamente snack bares onde pudessem saciar a fome.

17 agosto 2012

Irmã Coragem


Há ainda exemplos de tremenda coragem física e espiritual num mundo dominado por bandidos como a Clinton&associates. A religiosa cristã que tem dado voz àqueles que a não têm é um desses raros exemplos. Não se tem calado e sabe ter assinado há muito a sua condenação à morte; corrijo, o seu martírio, que quer dizer testemunho de verdade.  Merece ser ouvida, pois dentro de anos estará certamente nos altares. São pessoas destas que nos fazem manter a esperança no triunfo final da verdade.

O começo do fim da hipnose



A presente situação na Síria - pese tudo o que distingue a matriz cultural, étnica e religiosa dominante  nesse país do Médio-Oriente - lembra-me a violência que irrompeu nas ruas de Bangkok há mais de dois anos. Então, dei-me conta da cobardia, da cegueira, do comodismo, da irresponsabilidade e até da mais chã estupidez de alguns "diplomatas", assim como da rica, ociosa e devassa comunidade "farang" que ali vive com privilégios que fariam corar um sultão das mil e uma noites, todos bem pensantes, todos colonizadores arrogantes, todos com carteira e cartões de crédito bem municiados para comprar carne branca a preços de saldo.
Foi na acareação do que via nas ruas e do que ouvia pela noite nos noticiários internacionais, que avaliei a extensão dos estragos à verdade causados por essas máquinas de condicionamento global que são as CNN's e as al jazeera's da plutocracia imperialista. Trata-se, amiúde, de gente adestrada na arte da mentira, da manipulação, alvar e semi-analfabeta repetindo slogans, frases-feitas, espalhando boatos, torcendo verdades, esticando mentiras.
Os ocidentais foram educados a tomar partido por quem faz protestos. Se esses protestatários se afirmarem paladinos da revolução - qualquer revolução - se exibirem uns trapos vermelhos, se se arrogarem a freedom fighters (até podem ser maoístas ou salafistas), têm garantido o aplauso dos burguesinhos europeus e norte-americanos enterrados nas poltronas de salas aclimatizadas algures em Londres, na Avenue Foch ou num penthouse de Manhattan. 
Desde sexta ou sábado passados que se começou a manifestar o fim da hipnose a respeito da Síria. Surgem vozes, comentários marcados pelo espanto de quem foi ensinado a dividir o conflito entre lutadores pela liberdade e opressores. Afinal, os libertadores assassinam ,violam, raptam e matam jornalistas, destroem igrejas, praticam execuções e massacres em frente das câmaras, atiram pessoas vivas de prédios, irrompem por cidades, vilas e aldeias e matam que se lhes opuser ou quem por eles não tomar partido. Eu sei que, na generalidade, as pessoas são crédulas, que vivem num pequeno mundo de banalidades e daí só saem se empurradas para a realidade. Nunca como hoje, tanto homem e mulher que se consideram livres foram alvo de tanta manipulação; nunca como hoje, tão poucos manobram, condicionam e gerem os sentimentos de tantos; nunca como hoje, grupos criminosos dominam tão largas extensões de poder, usando-o para praticar o mal absoluto.

16 agosto 2012

Afinal, quem defende a liberdade de imprensa e quem quer sabotar a paz?

72 milhões de litros


Tigres, leões, búfalos, elefantes, macacos, pavões e homens, aldeias inteiras, tudo foi regado por 72 milhões de litros de desfolhantes. Se lhes juntarmos 7 milhões de toneladas de bombas - o triplo daquelas lançadas sobre a Europa e Japão ao longo da Segunda Guerra Mundial - o resultado é um país reduzido a paisagem lunar. São 3 milhões os deficientes profundos que vivem no Vietname pagando em sofrimento as contas milionárias que a Monsanto e a Daw apresentaram ao orçamento federal por tão grande obra em defesa da democracia.
De Brendan Wilcox - silenciado, claro - o pavoroso quadro da irresponsabilidade criminosa e do decisorialismo desalmado de quem tanto se preocupa com sudaneses, sírios e iranianos. A ler mais este capítulo da história universal da infâmia.


13 agosto 2012

Uma história sinistra lida às crianças e lembrada ao povo


Deixem-me contar uma pequena história. Houve em tempos no Sudeste-Asiático um grande Estado budista, forte, expansionista e temido como nenhum outro jamais o fora na região. Chamava-se Myanmar, mas os ocidentais deram-lhe o nome de Birmânia, ou Bramá, terra de
Brahma, deus hindú da criação. Nesse tempo, a China mantinha-se desafiante, tinha uma porta aberta ao comércio ocidental em Macau. Com os Portugueses, havia um acordo tácito. Eles mandavam, nós estávamos lá. Não havia tratados, nem outras relações para além das necessárias. Ali perto, em Cantão, tal como os japoneses em Dejima, facultaram os chineses entrepostos aos outros europeus que ali iam carregar as sedas, as porcelanas e as lacas. Como do Ocidente só queriam telescópios e outras geringonças, os ocidentais pagavam forte, em prata. Era o chamado sistema de Cantão. A China detinha o seu sistema internacional e o seu modelo económico, controlando as redes comerciais do Extremo-Oriente através do junk trade. A Birmânia estava a meio caminho entre a Índia dominada pela East India Company e a China. Em Malwa, produzia-se ópio, mas era de má qualidade. Dizia-se que ópio birmanês era o mais puro. Para além disso, a teca birmanesa era a melhor.
Em 1824, os britânicos - diz-se que instigados pelo lóbi dos mercadores de Calcutá - inventaram um casus belli e derrotaram os birmaneses. Pelo tratado assinado em Yandabo, tiraram-lhes a costa do Mar de Andaman e o Arrakan (Arracão). Não estavam safisteitos. Na Grã-Bretanha, as gazetas populares investiam forte nas delirantes estórias do "despotismo birmanês", da impiedade e violência do governo birmanês. Em 1842, a China foi forçada - pela guerra - a abrir os portos ao "livre comércio" e ao "progresso". Escancaradas as portas do Império do Meio, incluiram no clausulado de tal capitulação a liberdade da exportação para a China do ópio produzido na Índia. Porém, o ópio birmanês estava ali, bem perto. Lord Dalhousie, responsável pelo governo da Índia, enviou à Birmânia o Comodoro George Lambert, escolhido, nas palavras de Dalhousie, pelo seu carácter "combustível". Por uma ninharia recoberta com sagradas mentiras e grandes proclamações de liberdade, os britânicos deram início a outra guerra, no rescaldo da qual ocuparam Rangún e o acesso birmanês ao mar.
Os birmaneses, humilhados, tiveram então um Rei excepcional (Mindon Min), modelo de estadista reformador que introduziu o telégrafo, os caminhos de ferro, criou o banco nacional, cunhou moeda, anexando-a à Libra, fez concessões comerciais aos britânicos, introduziu o sistema de ensino ocidental e até enviou a nata dos jovens príncipes para estudarem em Londres, Singapura e Calcutá. Mas os britânicos não queriam ou não fizeram caso do zelo do monarca. Viraram-lhe as costas e persistiram em negar-lhe outro estatuto que o de um vassalo do Raj britânico. Esperaram pacientemente que morresse para, de seguida, atacarem o que restava do Reino.
Não vos ocorre, caros leitores, algo de muito semelhante com a Líbia, a Síria e os Afeganistões de hoje?

12 agosto 2012

E você, também apoia o extermínio dos cristãos sírios?

Rússia prepara-se para grandes celebrações em Borodino


Para o bicentenário da batalha de Borodino, vilória situada a 120 km de Moscovo e onde se desferiu a 7 de Setembro de 1812 a batalha que Tolstoy eternizou, o governo russo prepara "à la russe" a recriação do embate entre a Grande Armée invasora e o exército imperial de Alexandre I. Não fosse a preparação de um livro-catálogo que estou a terminar, destinado a uma exposição sobre a Campanha da Rússia de 1812 que se inaugurará em finais de Setembro em Lisboa com o patrocínio da embaixada da Federação da Rússia e iria certamente assistir a esse grande evento.
A Rússia recobrou, finalmente, o papel de grande potência e devia ser o grande aliado da Europa ocidental num momento crítico em que o mundo se parece abeirar de grandes convulsões. Não fosse a cegueira e incultura dos pequenos caixeiros-balconistas que regem a Europa, a Rússia - hoje um actor racional e uma democracia - poderia voltar a ser o pólo oriental e o agente do equilíbrio europeu. Mas não, a Europa encheu-se de meninos e meninas alvares, de fateco e sonhos "empreendedoristas" que levarão ao caos.