23 junho 2012

Notas para uma Nova Monarquia. Na monarquíssima Tailândia, ou o que é um Rei

ในหลวงของแผ่นดิน =Nay Luang Kong Pen Din = "Nosso Rei, Senhor da Nação. Quando para ele olho, vejo alguém que está sempre ao pé do povo".

 O Rei não pode ser apenas o primeiro servidor do Estado, um mero funcionário público. O rei deve ser o garante e justificação da existência da comunidade feita Estado, acima dos partidos, das facções e dos regimes. O Rei não é político, não faz política, nem lhe compete exercer actividade técnica. Contudo, não é apenas um símbolo. Intervém na esfera daquelas competências que estão acima da gestão corrente dos negócios da governação, aquelas em que os governos, as leis e nem  mesmo a constituição jamais podem pôr em causa; mais, deve ser responsável pela execução dos objectivos permanentes do Estado, aqueles que os políticos não podem alterar: a grande política externa, a defesa, a vida e a felicidade dos cidadãos, as crenças e a traços culturais maioritários da nação. O Rei somos todos nós na pessoa que é cabeça do Estado.

 


22 junho 2012

Nova Monarquia de novo ?


O Nuno zurze forte na incapacidade dos monárquicos em aproveitarem o momento irrepetível por que passamos. Há vinte e oito anos, eu, o Nuno e mais três ou quatro dezenas de militantes do PPM revoltámo-nos contra o amadorismo, o imobilismo, o tertuliarismo, as "hortas sociais", mais as manias das genealogias e das heráldicas e brasonários, os marialvismos, as intermináveis conversetas notívagas - fumarentas e etilizadas - da sede do PPM e fizemos a Nova Monarquia. Fizemo-lo com riscos tremendos - riscos físicos até - e montámos uma organização de combate político à qual se foram agregando centenas de militantes de primeira plana. Em 1989, quando terminou, a Nova Monarquia tinha 600 associados, enchia mensalmente salas - do Hotel Roma, do Altis, do Lutécia - e organizava caravanas automóveis, desfiles e arruadas, cobria Lisboa de cartazes e murais, organizava sessões musicais no São Luís e no Teatro da Trindade, participava em debates públicos; em suma, existia e não pedia créditos.

Nesse tempo, não tínhamos nem dinheiro nem internet, não havia telemóveis, a imprensa era, absoluta e irremediavelmente, hostil e inimiga. O trabalho, as reuniões, as circulares e os contactos eram feitos em minha casa e, depois, no escritório do Professor João Taborda à Brancaamp, na Igreja São João de Deus ou no Colégio Pio XII.

Em quatro anos, a Nova Monarquia cresceu, espalhou-se pela geografia portuguesa, constituiu núcleos nas principais universidades, conseguiu eleger militantes seus para os corpos dirigentes das associações de estudantes das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, ganhou em dezasseis associações de estudantes do ensino secundário da região de Lisboa. Em 1987, recebemos um telefonema da direcção do CDS, então presidido por Adriano Moreira. A NM foi convidada para integrar as listas do partido e a campanha desse ano foi feita integralmente pela Nova Monarquia.

Na altura, moveram-se campanhas absolutamente infames, boicotaram-nos, difamaram-nos, fecharam-nos portas e intrigaram. Aqueles que nada faziam, que nada haviam jamais feito, mataram a Nova Monarquia. Depois, foi o silêncio. Voltaram ao mesmo que sabiam fazer. Hoje, estamos nisto. Há 35% de portugueses que se identificam com a Restauração, mas não fossem o Senhor Dom Duarte e Dona Isabel - nas suas constantes deslocações, acudindo a todas as solicitações - a actividade monárquica circunscrever-se-ia a NADA !


Sei que passou uma geração e que agora os jovens são moles, não foram educados nem sabem como fazer. Perderam a fibra, não abdicam do maldito computador e jamais sairiam à rua para penosas jornadas de colagens e pintura de murais até às 4, 5 ou 6 da madrugada, sob chuva intensa ou frio enregelante. Será? Não estou certo disso. O problema prende-se com maus hábitos, falta de motivação de quem deve preparar, estimular e executar, ausência de criatividade e génio propagandistico. 

Aceitei há dias o convite para um jantar organizado por um instituto carregado de boas intenções patrióticas e dirigido por gente limpa. Saí dali com um enorme peso na alma, após confirmar as mais negras intuições. Ali, numa sala com setenta pessoas, só ouvi discursos mornos, tecnocráticos, cheios dos rodriguinhos das gestões, do empreendedorismo e das "novas oportunidades". Até se citou Brecht e Maiakovski. Só faltava o Che. A coisa prolongou-se por horas e tornava-se mais penosa a cada minuto, sem rasgo, sem chama, sem sentimento. 
Tudo isto me leva a pensar seriamente na necessidade de refazer a Nova Monarquia. No dia em que o fizermos, algo de novo se fará pela causa patriótica por que vale a pena lutar.


21 junho 2012

Portugueses e espanhóis


Adquiri há anos as Mémoires du Général Baron de Marbot, três estupendos volumes editados em finais do século XIX pela Plon contendo belíssimas rotogravuras desse oficial general de Napoleão que esteve em Portugal durante as três invasões francesas.  No segundo volume, uma homenagem aos portugueses, que Marbot separava dos espanhóis. "(...) Menos cruéis [que os espanhóis], muito mais disciplinados que os espanhóis e de uma coragem mais calma (...), nada ficavam a dever aos soldados ingleses; mas menos gabarolas que os espanhóis, falaram pouco das suas façanhas, pelo que o seu valor é menos celebrado". Tudo isto me lembra a actual crise, que o povo português - povo antigo e sofrido - tem sustentado sem grandes manifestações de histeria. Há, certo disso estou há muito, desde os tempos em que comandei, uma quase natural inclinação no português para a aceitação da fatalidade. Não se trata apenas de resignação, mas de uma forma de orgulho, tímido é certo, que nos impede de trazer para as ruas do mundo os nossos tormentos. 

20 junho 2012

Ingratidão

Este homem retirou o Egipto da órbita soviética, foi o artífice da plena afirmação da economia de mercado após duas décadas de nasserismo e uma década de modelo híbrido de Sadat, cortou relações com meio mundo árabe para viabilizar Camp David, acolheu o Xá quando os good allies daquele o queriam entregar a Khomeini, fez a paz com Israel em troca da promessa nunca cumprida de uma Palestina independente, participou na Tempestade do Deserto porque lhe garantiram que o Médio Oriente voltaria a ter voz nos areópagos internacionais, assinou de cruz todas as cartas internacionais, salvou nos anos 80 a indústria militar norte-americana, graças ao volume de encomendas destinadas a reapetrechar um dos maiores exércitos do mundo, foi o primeiro líder não ocidental a apoiar os EUA no 11 de Setembro, o primeiro chefe de Estado não-ocidental a enviar tropas para o Afeganistão, o mais intransigente inimigo do fundamentalismo muçulmano, o primeiro presidente de uma nação árabe a convidar João Paulo II  para uma visita de Estado, o homem que deu plena cidadania aos cristãos coptas... A lista estender-se-ia por páginas, mas de nada vale, pois anda por aí muito americanista primário que não vê, não quer ver e insiste em apoiar irracionalmente um império sem pingo de respeito por aqueles nele confiantes.








19 junho 2012

O que teria sido Portugal se a revolução tivesse ido ainda mais além?

No passado sábado, os comunistas realizaram uma manifestação avenida abaixo. Reparei que metade seriam funcionários públicos e funcionários camarários, a restante metade funcionários públicos reformados. Lembrei-me desde Desastre Vermelho, documentário chocante, com mais de vinte anos, ainda hoje ocultado entre nós, onde o comunismo é poupado à acareação da história e os comunisas ainda reivindicam lugar cativo de moralistas. Pelintrice, fome, falência mental, resignação mortal, dissolução cultural, vigilância, suspeição, medo; o retrato do Portugal que o pc e seus turiferários  quiseram impor. Em tempos de crise, há que lembrar que aquilo que hoje é a nossa pobreza seria no socialismo real uma provocação milionária. A não perder !

18 junho 2012

Incapacidade minha

Um bom amigo perguntou-me por que razão o Combustões não acompanhava o noticiário. Respondi-lhe que um blogue não é um jornal, que não se mede pelo número de leitores, que não pretende ser outra coisa que um passatempo sem objectivos, que me recuso ser uma micro-Lusa, que não quero estar acoplado a grupos ou partidos, que não dependo do blogue para buscar emprego ou convites, que os textos aqui publicados são o que são e isto não é nem uma editora nem uma universidade. Aqui, o único rigor pretendido é o rigor da minha coerência. Se gosto, aplaudo; se não gosto, digo. É difícil ser-se livre e independente, mas dá um prazer imenso não ter medo das palavras, não ter medo de ter um cérebro e não ter medo de estar só, absoluta e orgulhosamente só. Sei que as pessoas gostam de redes. Sentem-se nuas se não estiverem agarradas umas às outras. Para mim, estar num blogue colectivo seria um calvário. Para mais, não sou comunista.

17 junho 2012

Uma oligarquia vindicativa


A candidata bobo-socialiste Ségolène Royal - uma das hapsaras da corte do hollandismo, preterida pela nova grande favorita, a Trierweiler - foi batida knockout em La Rochelle por um dissidente socialista. De mau perder, a ex-favorita acusou o vencedor de "traidor". Não percebo estes amokes de quem se considera dona do eleitorado e andava a ufanar-se desde há semanas que seria a próxima presidente da Assembleia Nacional. Esta casta oligárquica é incorrigível. Só aceitam a cultura democrática conquanto as pessoas os sirvam e os coloquem em lugares que julgam seus por direito. A Royal não fica desempregada. Tem boas ligações, que vão da espionagem bombista (o seu irmão Gérard foi o homem-rã que afundou o Rainbow Warrior em 1985) à magistratura, aos contratos cativos com jornais e editoras e a um pé de meia investido em apartamentos de alta gama.